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quarta-feira, 23 de abril de 2008

repitam o mantra: consumir e gozar! e não estocar!

isso foi publicado na folha de são paulo, no dia 14/04, na coluna de mônica bergamo (é a coluna social da folha - clique aqui, mas tem que ser assinante UOL ou folha), e o mundo precisa ler. e eu, seguindo a tradição de mamãe, coloco aqui para conhecimento de todos.

gente, é tão absurdo que, por enquanto, eu vou só negritar o que eu achar melhor/pior.

e já adianto, acho lindo as pessoas serem ricas e poderem gastar dinheiro livremente. não sou muito adepta dessa coisa de "as crianças da áfrica passando fome, morra de culpa". se não roubou ninguém, e está tudo nos conformes... mas não precisa passar ridículo, e nem ostentar.

e em última instância, é super defensável o "não estocar". mas... não fode, gente.

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Mônica Bergamo

"Consumir e gozar! E não estocar!"

Setenta empresárias e socialites se reuniram numa mansão do Jardim Europa, na semana passada, para ouvir uma palestra do "filósofo do luxo" Silvio Passarelli, coordenador de MBA da Faap sobre o tema. Entre flutes de Chandon rosé, cumbuquinhas de bobó de vieira e camarão e copinhos com salmão, relish de beterraba e ovas, elas assistiram à palestra "O Seu Tempo É o Seu Luxo", em que o economista, a convite da revista "Wish Report", fala sobre o tempo, o marxismo, o hedonismo -e o prazer inigualável do consumo sem grilos ou culpas de qualquer espécie.

A predominância do pensamento marxista impregnou o século 20, disse o professor. "Depois da superação do materialismo histórico, todos viveriam felizes e iguais. E eu me pergunto: como, se um tem cabelos loiros, o outro é moreno; um tem Q.I. de inteligência bruta maior, outro tem inteligência emocional?"

Já o atual liberalismo, diz, inaugurou a era do padrão individual de escolhas. Mas é preciso tempo. "De nada adianta acumular os bens se não temos tempo para usufruí-los", disse o professor. "É isso mesmo! É isso mesmo!", gritava, batendo palmas, a empresária Yara Baumgart, seguida pelas demais mulheres presentes. "Será a grande batalha do século 21: consumir e gozar, consumir e gozar! E não estocar", completava Passarelli. "Sabe a Imelda Marcos [ex-primeira-dama das Filipinas] e os 500 calçados? Será que ela os conhecia a todos? Será que estabeleceu com cada um deles uma história pessoal?" A anfitriã, Carin Mofarrej, da rede de hotéis, pede o microfone: "Eu considero um luxo fazer as coisas que você tem vontade. Fui fazer um curso na FGV, já com seis filhos, eles diziam: "Mãe, você é louca?". Mas aprendi, remocei. Nem sempre o luxo significa... óbvio, se a gente puder ter o melhor relógio, a melhor bolsa, a gente gosta. Mas usar uma sandália havaiana, em casa, é um luxo que só a idade te dá".

O microfone passa para a empresária Dayse Gasparian, que recomenda que as pessoas expressem seus sentimentos. "É preciso chegar em casa e dizer ao marido: "Eu te amo!"." Rosângela Lyra, da Dior, conta que vai sempre à praça da Sé, de madrugada, cuidar "dos meninos que cheiram crack". E completa: "As pessoas me perguntam: "Como você consegue fazer tanta coisa?". É simples. Tomei uma medida radical: não ver televisão".

Passarelli insiste na idéia de que as pessoas têm que "melhorar o seu estoque" de tempo. "Vamos perder a vergonha quando alguém perguntar: "O que você vai fazer amanhã?". Nada! Eu comprei um carro novo e vou passar o dia dedicado a esse brinquedo que eu me proporcionei. É preciso tempo para que o projeto emocional que o levou a adquirir aquele bem possa ser explicitado", prosseguiu o professor.

Para ele, é preciso "gradativamente trocar compromissos inúteis pelos úteis na busca de uma nova ética de consumo, que não seja marcada pela condenação de um produto supérfluo. Ora, quem tem condição de dizer o que é supérfluo? É supérfluo para ele, mas pode ser a diferença entre felicidade e tristeza para outro".

Fim da palestra. Carin serve sucos de uva com carambola e de maracujá com figo. A conversa continua em torno da mesa de doces -salada de frutas vermelhas, tortas, copinhos de merengue de fruta-do-conde com marshmallow brulée. Algumas das convidadas elogiam a serpente de ouro branco e safiras que Carin carrega no pulso. "Agora, sem culpas", diz ela. O evento chega ao fim.

9 comentários:

Eduarda disse...

Jules, recomecei esse comentário umas 100 vezes, mas é tanta bizarrice e tantos enfoques que eu posso ter aqui que desisti... :-P

Quéroul disse...

esse povo tem que parar de beber maconha.

paula disse...

Sou totalmente contra estabelecer relação pessoal com os pares de sapato. Já caí nessa besteira. Aí no dia que entraram na minha casa e roubaram seis pares de uma só vez como é que eu fiquei?

très julie disse...

pois é. eu também só negritei, porque imagine tecer um comentário sobre isso?

paul, é isso. a gente cria uma relação com os sapatos e depois, por causa disso, surta e quer dar queixa na delegacia. fodam-se dinheiro, bijouterias e afins, mas e os sapatos?

Barbie disse...

Olha, não consegui ler tudo, desculpa.
Agora, vendo estes comentários, e por não ter conseguido ler tudo, já não sei se o tema é o consumismo e o luxo e a não-culpa por disfrutá-lo ou essa tal relação com sapatos, ou tudo.
De qualquer modo, eu gosto muito de luxo em todos os sentidos e acredito que, se tivesse muito dinheiro, adquiriria a melhor versão de cada coisa em vez de uma marromenas, basicamente porque o melhor é melhor. E isso é muito melhor. Indiscutível.
De todos os modos, preciso salientar que a "elite" brasileira é bagaceira e jagunça demais pra mim. Me parecem muito incultos e muito superficiais. Falta a finuira verdadeira, que é espiritual e independe do que se possa consumir. Isso quem define é o bolso, não a finura (sim, este é o termo português correto, e não finesse). A elite brasileira não percebe que está escancaradamente claro, em nosso país, quem pode e quem não pode - e quem nem sequer se sacode. As diferenças são tão óbvias e a pobreza é tão escandalosamente feia e visível que eu não entendo a necessidade desesperada de reafirmar as posses através do exibicionismo de símbolos chave de riqueza. "Entendo" isso em sociedades em que a classe alta precisa fazer esforços pra de destacar da classe média, que representa quase todo mundo e tem alto poder de consumo. Mas não no Brasil. É um medo tão entranhado de não conseguir se destacar pela riqueza e "berço" que me faz perguntar onde é que está o gato. Acho que é porque nós, brasileiros, somos todos almas cabôclas, e alguns lidam pior com isso. E, como disso não se foge, a neurose pega pra capar.
Muito saravá Dior pra eles e pra nós, né, meu amor?

Barbie disse...

p.s.: É verdade, entretanto, que é UÓ essa mania do povo de querer fazer os outros se sentirem culpados por qualquer êxito que atinjam, material ou espiritual. Do borogodó. E essa associação básica pobreza-nobreza mata um também. na época de graduação vivi numa república estudantil maioritariamenteb de humanas e de esquerda. Se alguém usasse calçado já era discriminado. Rico. Tinhoso. Vamos comentar? Meu cu.

paula disse...

O tema até deveria ser o consumismo e o luxo e a não-culpa por disfrutá-lo, mas os argumentos da Filosofia do Luxo da reunião descrita vão da "crítica" ao materialismo histórico de Marx e Engels à discussão do não relacionamento pessoal de Imelda Marcos com cada um de seus 500 pares de sapato. Olha que eu já vi as teorias de Marx e Engels receberem críticas e defesas dos mais variados níveis de imbecilidade, mas essa galera ganhou o troféu joinha.

Só me resta perguntar o que terá acontecido aos meus sapatos roubados. "Meus bebês, cadê vocês que nunca telefonaram?!"

menina_pati disse...

"recomecei esse comentário umas 100 vezes, mas é tanta bizarrice e tantos enfoques que eu posso ter aqui que desisti..."


Somos duas.

très julie disse...

para barbie:

"De qualquer modo, eu gosto muito de luxo em todos os sentidos e acredito que, se tivesse muito dinheiro, adquiriria a melhor versão de cada coisa em vez de uma marromenas, basicamente porque o melhor é melhor. E isso é muito melhor. Indiscutível."

sem dúvidas, a melhor versão, se possível, vale a pena.

e eu adorei a análise sobre a eliter brasileira. eu estava comentando outro dia com minha mãe como, via de regra, o brasileiro não é elegante. luxo sem elegância cheira a novo-riquismo, a ostentação pura e simples. já elegância é super possível sem luxo (e muito boa com ele, claro).

e paul, essa galera ganhou o troféu joinha vibrante e pulante.