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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

os suspeitos

uma dúvida me assola: naquelas identificações clichê que existem em todos os seriados e filmes onde tem policiais combatendo o crime, em que colocam o suspeito e mais 4 pessoas meio parecidas com ele, para que a vítima/testemunha identifique, onde é que eles arranjam as outras 4 pessoas? catam na rua? a polícia tem um book com gente para participar desse tipo de coisa?

se alguém souber a resposta...

falando em clichês, tem 3 que eu particularmente adoro:

- a cena em que os habitantes de uma aldeia foram contidos pelos vilões, e alguém diz "por favor, as crianças!", e o capataz diz "sim, sim, as crianças, pode deixar" e depois, em off, para seu braço direito, diz "queimem tudo.".

- o já tradicional momento da dramaturgia brasileira em que ocorre a deixa para o personagem falar "esta é apenas uma cópia. o original está muito bem guardado".

- as chamadas do supercine, que são algo do tipo "ele foi condenado por um crime que não cometeu, e agora vai fazer de tudo para salvar seu (pai/irmão/filho)", ou qualquer coisa baseada em fatos reais, no melhor estilo "o resgate de jéssica".

porque é disso que o povo gosta: de se sentir familiarizado com o programa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

e agora nossa próxima atração...

o serviço de utilidade pública total eclipse of the blog, sempre preocupado em tornar o mundo um lugar mais ridículo, e, portanto, divertido, orgulhosamente apresenta SUPER JULIE! (é pra clicar no super julie, entendeu, oligo?)

graças à kodak, você também pode ter o seu próprio vídeo de super herói da década de 70, com direito a música de abertura e interjeições pow! soc! tum! a la batman. aliás, graças à kodak, você vai poder me ver pagando este super mico!

gente, tô me sentindo o spectroman!

combatendo o crime de perucão e ceroula marvel

(vá lá: www.makemesuper.com)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

passagem rápida

sim, eu sei, eu sumi. não ando lá muito inspirada, mea culpa, mea culpa. sim, pretendo voltar. até porque tenho um desafio pra responder (né, emil?) e tal. e não deixe o blog morrer, eu sei.

mas enfim, vim aqui só pra indicar, pra quem ainda não conhece, o http://wagnerebeethoven.blogspot.com/. é MUITO engraçado. e assim vocês têm alguma coisa pra ler enquanto eu não apareço por aqui... =P

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

como se sentir velha em 30 segundos de conversa

- então, acho que o irmão do professor foi do vieira...
- você estudou no vieira?
- sim. e eu acho que o irmão dele foi C.O..
- o que é C.O.?
- comissão organizadora. de gincana, sabe? sou do tempo que tinha gincana.
- ah... eu saí de lá em 2001.
- (mini pânico) bom, eu me formei NA FACULDADE no 2º semestre de 1999... saí do vieira em 1994.
- ah, então você é bem mais velha...
- pois é, balzaquiana...

gente, eu não sei se corto os pulsos por ser colega de um menino com essa idade no cursinho ou se penso que ninguém me dá a idade que eu de fato tenho e isso é uma sorte.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

dando bandeira

não me perguntem a troco de quê eu lembrei disso. acho que é porque em direito o que não falta são citações em latim.

aí que quando eu estava no primário, acho que na 4ª série, a gente tinha um atlas geográfico bem básico (quase um panfleto), que era pra galere aprender a copiar mapa usando papel manteiga e lápis grafite (duvido que atualmente isso ainda se faça nas escolas, tá mais fácil o menino usar o google pra achar o mapa que ele quer). e a 4ª capa era dedicada a apresentar a todos nós as bandeiras de todos os estados brasileiros.

deviam ter explicado logo cada uma, mas não. o negócio é que eu passei anos achando que libertas quae sera tamen significava libertas que será também escrito em algum idioma meio analfabético. só quando a gente foi estudar inconfidência mineira é que explicaram que o significado era liberdade ainda que tardia, que o idioma era latim, etc, etc.

mas pior, na minha cabeça, era a bandeira da paraíba. eu não conseguia entender porque diabos tinha escrito nego na bandeira. sim, porque eu lia nêgo, e só 200 anos depois é que vieram explicar que é négo, do verbo negar e tal.

ó, gente, esse negócio de bandeira é fogo. não acho que a da bahia seja especialmente inspirada (acaba que listras e figuras geométicas, junto com estrelas, são figurinhas fáceis no mundo das bandeiras), mas pelo menos não tem nada escrito aqui para ser lido errado. aliás, não curto muito essa coisa de coisas escritas em bandeiras. podia ser bonito antigamente, mas hoje em dia, ter uma bandeira escrito trabalha e confia (a do espírito santo) tem mais é cara de para-choque de caminhão.

p.s. desde logo aviso que não tenho nada contra nenhum dos estados, e só estou falando das bandeiras, é sempre bom esclarecer para evitar que alguém apareça aqui xingando.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

doe sangue, doe vida

de repente, conheço duas pessoas que precisam/precisavam de doadores de sangue. na verdade, o hospital faz a transfusão com sangue do banco deles, e os doadores repõem, mas vamos ao que interessa:

não sobrou ninguém pra doar sangue!

sério, gente. ontem eu descobri quem não pode doar: quem tem tatuagem, quem fez acupuntura (???? acupuntura virou tratamento médico pra mil coisas!), e qualquer pessoa que teve contato com agulhas fora de um contexto médico (piercing, imagino eu, e drogas injetáveis). quem teve hepatite também não pode. e quem tem relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, homem ou mulher (eu espero que isso seja mentira, preciso averigüar). ah, e se você teve mais de 3 parceiros sexuais em um ano, você é considerado uma pessoa promísc..., ops, de comportamento de risco (chama logo de puta, né?).

eu só queria dizer que essa pessoa, no meu tempo, seria considerada SORTUDA. tipos, tá comendo, né?

ou seja, quem sobrou? os não tatuados, não pierçados, não acupunturados e semi virgens? onde esse povo se esconde?

isso super me fez lembrar de um caso em que um orixá se manifestou e mandou a pessoa oferecer um caruru a 7 virgens, 7 virgens estas que foram a filha de 8 anos da pessoa e 6 amiguinhas dela. porque virgens, né, gente? pra garantir mesmo, só dessa idade...

e voltando, o fato é que eu nunca consegui doar sangue, por mil motivos, e agora que, em tese, rolaria, tenho dois impedimentos: piercings e acupuntura (não, não tive mais de 3 parceiros no período de um ano, infelizmente) .

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

nightwish? nightmare!

aí eu recebo o seguinte scrap (não, não é gente perguntando se é muito difícil virar travesti):

EXCURSAO PARA O SHOW DE RECIFE "NIGHTWISH"
1ª VEZ NO BRASIL APROVEITEM!!!!!!!!!
VAGAS LIMITADISSIMAS: SERA APENAS 1 ONIBUS

Saida: 16/11/2008 ás 06 horas do Campo Grande
Retorno: 17/11/2008 a 16 horas

Inclui:
- Onibus executivo
- Hospedagem com cafe da manha
- Serviço de bordo (Cerveja, Refrigerante, agua, Smirnoff, Red Label)
- Ingresso do evento
- Cobertura Fotografica

GA---------GUINHO diz:
Investimento:
Apartamento duplo: R$: 310.00 a vista ou 325,00 em ate 3 X
Apartamento triplo R$: 300.00 a vista ou 320,00 em ate 3x

gente, só eu acho um pesadelo ir de ônibus pra recife pra ver NIGHTWISH??? e essa tucanada de falar "investimento"? nada mais tem custo, em tudo você está investindo...

e essa é a melhor parte:

GA---------GUINHO diz:
Investimento:
Apartamento duplo: R$: 310.00 a vista ou 325,00 em ate 3 X
Apartamento triplo R$: 300.00 a vista ou 320,00 em ate 3x

oi, scrapbook não é msn?

p.s. imagine o que vai ser essa "cobertura fotográfica"...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

contagem regressiva para 3.2

toda aquela conversa clichê sobre o aniversário ser um ano novo pessoal encontra eco em mim. não tenho essas paradas de resoluções de ano novo e tal, mas sempre que o fim do ano vai chegando (afinal, o natal começa a ser jogado na nossa cara assim que o dia da criança passa, de forma que, meu povo, já é natal na leader magazine), e, com ele, meus cumpleaños, eu paro e reavalio as coisas.

e nessa, claro, a gente começa a enumerar tudo o que devia estar fazendo e não está, o que tem que começar a fazer, o que tem que parar de fazer, o que tem que fazer mais, mas nem se lembra do que já faz de bom, e deve continuar fazendo (observo que esta frase ficou assustadoramente próxima de uma avaliação de desempenho corporativa de um certo banco onde eu trabalhei). de forma que todas as culpas cristãs e atéias começam a pesar, e no dia do aniversário, ao invés de estar na vibe gazela saltitante, estamos mais pra cada vez mais down no high society, afinal, você ficou um mês pagando de hiena hardy, e é hora de (mais clichê) colher o que você plantou (/morango do nordeste).

enfim. estou tentando não entrar nessa, ou, pelo menos, ao invés de ficar "ah, eu devia estar fazendo tal coisa mais", ir lá e fazer, e parar com a punheta mental. e pensar "e eu podia tá roubando, eu podia tá matando, mas não estou". eu disse que estou TENTANDO. a começar por marcar os 800 médicos a que eu tenho que ir/voltar. ai, que preguiça...

mama, just killed a man, baby!

rick miller cantando bohemian rhapsody e imitando 25 (na verdade, se você contar, são 26) cantores (ou, como ele entitulou, "the 25 most annoying voices"). não consigo parar de assistir, gente. até porque bohemian rhapsody é o tipo da música que eu adoro cantar inteira e bem alto.

as melhores, pra mim: bob dylan, jon bon jovi, aerosmith, crash test dummies, b-52's, metallica, e, claro, axl rose no grand finale.



p.s. rené, tenho certeza de que você vai adorar!

supermarket

uma pessoa normal faz supermercado de uma forma minimamente lógica. se só tem 2 ítens pra pegar, vai diretamente a cada seção, pega o que precisa e se manda. se tem muita coisa pra comprar, segue o seu sistema - o de minha mãe, por exemplo, é começar de um canto e ir passando em todas as seções, uma a uma. com lista, é claro.

já eu tenho muita dificuldade de seguir o bom senso no supermercado. quer dizer, faço lista (óbvio, eu tenho mania de listas), e sigo a técnica de começar num extremo e ir de seção em seção até chegar ao outro. então, não me perguntem porque invariavelmente eu termino cheia de produtos nos braços e procurando desesperadamente o meu carrinho, que, sabe-se lá como, vai parar nas seções mais inusitadas, tipo a de comida de cachorro (oi, não tenho cachorro?). em algum momento da atividade compras, eu canso de empurrar o tal carrinho e resolvo que é muito mais prático simplesmente ir andando e pegando tudo. e daí que você termina segurando um quilo de açúcar, uma lata de azeite, pão integral e mais tantas coisas? é muito mais rápido!


... NOT!

e sempre rola aquela cena do "moça, aceita um carrinho?" e eu tenho que dizer que já tenho (o que, óbvio, parece mentira).

sem contar que eu confesso que super me divirto olhando os produtos. sou a pessoa que fica por dentro de que lançaram um novo sabor de danette, pomarola sabores e coisas assim (foi nessa que eu vi, certa feita, um salgadinho de farinha láctea sabor banana). e conheço todas as variedades das balinhas de gelatina fini (sou viciada em balinhas de gelatina, e essas vieram a calhar, porque sem condição de comprar aquelas haribo alemãs, embora as de pêssego sejam as melhores ever). de forma que, entre procurar o carrinho perdido e me atualizar no mundo dos produtos, o que era para ser rápido leva tipo uma hora.

e para terminar, eu confesso que super tenho vontade de sair desabaladamente pelos corredores jogando as coisas no carrinho de forma selvagem. sou uma frustrada que nunca participou do programa supermarketing, é isso.

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velharia da semana: alguém se lembra do danoninho vegetables, com sabores de legumes? tudo a ver com o salgadinho de farinha láctea sabor banana...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

um exercício de surrealismo

Tramita na Câmara PL que obriga bares a oferecerem bafômetros aos clientes.

eu fiquei sem palavras quando eu li isso. já disse que sou contra a política tolerância zero dessa lei seca, sendo que a anterior, se fosse devidamente aplicada, contribuiria para diminuir bastante as ocorrências de trânsito causadas por motoristas bêbados. mas a lei passou, as pessoas andam bem mais prevenidas por medo de perderem a carteira e serem processadas criminalmente e tal. aí, resolvem aumentar o grau de surrealismo com essa proposta. tipo, como era mesmo aquela história de que até um chopp era acusado como não permitido? ou seja, em tese não se pode beber NADA e dirigir depois? então, cara-pálida, pra que bafômetro? pra ver se o listerine do cara está correndo o risco de fazer ele ser pego?

eu PRECISO ler esse projeto de lei e ver se entendo minimamente qual o nexo. digo, que não seja a possibilidade de se achar mais um nicho de pessoas/instituições multáveis por alguma irregularidade inventada pelo nosso legislativo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

mr. tango

meu pai, after buenos aires, descrevendo (de forma pessoal) o que é o tango:
"o tango é uma dança na qual o objetivo do argentino é acertar o próprio cu com o calcanhar."
(faz demonstração)

e segundo minha irmã, ainda tinha o complemento:
"e enquanto isso, ainda fica aquela mulher chutando pra lá e prá cá, tentando acertar as bolas dele."

é isso que dá um macho ir ver um espetáculo de dança...

panic in the streets of salvador

deu no UOL:

Globo renova direitos e terá o BBB até 2012

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!!

(sim, eu sei que a maioria gosta, mas eu não, então deixem eu reclamar!)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

soletrando

é bobinha, mas eu sempre rio muito. e o pior é que é verdade...

o mesmo amigo que odeia videokê me contou que certa feita ele estava jogando stop/adedanha/insira aqui o nome regional que você conhece para a brincadeira com um cidadão quando rolou o seguinte:

- banda com E.
- AC/DC! (caro leitor, não esqueça de pronunciar eici-dici).

que nota?

que burro, dá zero pra ele! /chaves

antônimos

como diz um amigo meu, videokê é o contrário de música.
e o contrário de dia da criança? você não sabe? eu digo: é aulão de direito do trabalho com duração de 6 horas, em pleno domingo 12 de outubro, dado por um carioca (nada contra) machista (tudo contra) que demora ANOS para falar sobre cada ponto da matéria (matéria que não é seu forte, ressalte-se).
ah, começando pontualmente às 8h da matina.


realmente, eu joguei pedra na cruz E pegou no saco de jesus cristo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

momento onírico

sonhei que eu ia fazer um show com odair josé. a gente ficava ensaiando umas músicas para cantar, mas como a voz dele era meio incompatível com a minha, não íamos poder cantar "eu vou tirar você desse lugar", e, depois de muito pensar, optamos por "nuvem de lágrimas".

não, eu não cheguei a sonhar a parte do show, o que é uma pena.

e tá certo que eu tenho um pé no brega, mas não sei o motivo de ter sonhado isso. alguém arrisca?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

coming attractions

ah, hoje, mais tarde, teremos post sobre o prêmio ig nobel 2008 (eu amo o prêmio ig nobel, está no meu coração juntinho do darwin awards). aguardem.

um capeta em forma de guri

Menino invade zôo e alimenta crocodilo com animais raros

Um garoto de sete anos invadiu um zoológico na Austrália, matou diversos animais e alimentou um crocodilo com outros animais vivos durante uma conturbada série de matanças capturada pelas câmeras de segurança do zôo. O ataque aconteceu durante o dia, por volta das oito da manhã de quarta-feira, horário local.

Durante 35 minutos, o menino matou brutalmente pelo menos 13 animais no centro de répteis da cidade australiana de Alice Springs. Em um dos casos, ele bateu em um lagarto diversas vezes com uma pedra até o animal não resistir mais. Além disso, o garoto ainda alimentou um crocodilo com diversos animais vivos que jogava na jaula do réptil de três metros, chamado Terry.

As imagens do circuito interno de televisão do centro mostram o garoto sorrindo enquanto assistia ao crocodilo atacar um lagarto de língua azul.

Controle
Apesar de ter sido levado à polícia, o menino não pode ser preso pois é menor de idade. Mas o diretor do centro, Rex Neindorf, quer processar os pais do garoto, que, segundo ele, deveriam estar controlando o filho naquele momento.

"Estou desolado pela idade do menino, pelos estragos que ele fez e por ninguém querer se responsabilizar", disse Neindorf à imprensa local. "Se fosse na minha época de criança, ele levaria um bom chute no traseiro", afirmou o diretor inconformado.

Neindorf disse que dez répteis, uma tartaruga, quatro lagartos de língua azul, dois dragões-barbudos, dois diabos-espinhosos e um iguana de 20 anos e de 1,8 metro foram jogados para Terry, o crocodilo de 200 quilos. Além disso, mais três lagartos foram encontrados mortos em seus viveiros.

"Será difícil substituí-los. Muitos eram raros e maduros", lamenta o diretor.

O menino foi interrogado pela polícia, mas se manteve calado. Os policiais afirmaram que não têm a menor idéia do que pode ter motivado o ataque.


(fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc//2008/10/03/ult5022u1017.jhtm)

não tenho palavras. ele bem podia ter SE jogado na jaula do crocodilo. e nem sou fervorosa defensora dos animais, mas fico mal quando vejo manifestações gratuitas de crueldade (e tanto pior que sejam de uma criança de 7 anos).

agora, que raio de zoológico é esse que deixa os animais assim ao alcance dos visitantes?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

vivendo no caos

eis que estão pintando meu quarto (estantes, paredes e tudo o mais), de forma que eu tive que tirar TUDO que estava lá dentro, coisas estas que estão agora na sala.

constatação: alguns seres humanos possuem uma capacidade quase infinita (ou limitada apenas pelo espaço físico) de armazenamento. estou neste grupo. gente, o que é que eu faço???

ah, sim. eu quero muito escrever um imenso post sobre materialismo, consumismo, inteligência X frivolidade e afins, mas nesse esquema "acampando em casa", nem tem clima. aliás, meu uso do computador está deveras moderado (até porque terça eu passei o dia todo desmontando o quarto, e ontem, me recuperando fisicamente). vamos esperar o restabelecimento das condições ideais (a.k.a. uma casa onde não tenham pilhas de livros e cds em toda parte, roupas no sofá da sala, latas de tinta e lonas e jornais) que eu prometo que volto.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

REALLY extreme makeover

porque é sempre bom sinalizar as sutis mudanças na decoração, vai que alguém entra distraído e não percebe...

p.s. pati flor, eu não sei se era isso o que você quis dizer com "fundão preto", mas sinta-se inspiradora deste visual.

domingo, 28 de setembro de 2008

almost extreme makeover

a tão anunciada mudança de lay out começou! e pode ser que tenha acabado. enfim, quero opiniões. estava a fim de mudar também cores de fundo, das fontes e tal, mas não gostei mais de nenhum dos outros modelos do blogger do que deste (o que eu queria, na verdade, é fundo branco no lugar do texto e uma espécie de moldura de cor diferente).

considerando que - à exceção de um curso de MS-DOS que eu fiz durante uma semana nas férias de 92 ou 93, não me lembro mais - eu nunca tive aulas de computação (ou, como se diz em algumas localidades baianas, eu nunca tomei curso de computador), em qualquer de suas acepções, e, ainda, que eu sou advogada (supostamente, rola uma incompatibilidade entre a classe jurídica e a informática), estou me achando *A* ninja por ter conseguido fazer o novo banner praticamente sozinha auxliada apenas por meu amigo google - amigo que me apresentou a este site, e aí, meu povo, foi só correr pro abraço. recomendo, é facílimo de usar (desde que você tenha as fotos que quer usar na montagem, claro).

well, então é isso. gostaria REALMENTE de ter um feedback de vocês sobre cores, layouts e afins.

i'm not a girl, not yet a woman

a gente percebe que cresceu de verdade quando os pais da gente viajam e, assim que você, sozinha, fecha a porta do apartamento, não é acometida por aquela sensação de "uhu, a casa é minha, yay, festas!" (mistura do guri de esqueceram de mim com adolescentes de comédia americana).

aliás, não sei se isso é crescer ou ficar velho. porque tem outras coisas acontecendo comigo que são a prova de que eu REALMENTE dobrei o cabo da boa esperança. por exemplo, é engraçado como parece que todas as doenças que você nunca teve aparecem tipo um mês depois dos 30. meio como aquelas coisas que dão problema 5 dias depois que a garantia vence.

umas duas semanas atrás eu reparei que minha perna estava meio cascudinha, prestei mais atenção e descobri que minha pele ficou tão seca em certos lugares que estava até despelando! isso de uma hora pra outra. logo eu, que sempre tive pele oleosa e, a despeito da minha vaidade razoável (porém contraditória e complexa, mas isso é assunto pra outro dia) nem tenho saco de usar hidratante todo dia depois do banho no corpo todo (até porque, morando no nordeste, eu fico toda melecada), mas aí caiu a ficha que agora tem que passar, a não ser que eu queira ficar com pele de dinossauro (e não, eu não quero).

eu fico de cara com esse tipo de coisa. até ontem você era de um jeito, e só porque o tempo passou, isso mudou e até você não se reconhece direito. imagino como não deve ser complicadíssimo para pessoas da idade de meus pais, que estão com 60 anos...

sem falar de pensamentos como "é muito infantil eu usar tic tacs no cabelo? posso continuar saindo de camiseta + calça jeans pra quase todos os lugares? eu deveria começar a fazer escova no cabelo regularmente? querer ir no festival planeta terra é irresponsável da minha parte? etc". nesse caso, não é você se espantando com o envelhecimento do corpo; é uma mini crise de "eu estou me comportando como manda a idade ou estou me achando louquíssima e sendo apenas ridícula?". sei lá, tem horas que eu me acho totalmente adulta, e noutras, não consigo pensar em mim como uma MULHER. fica uma vibe meio "i'm not a girl, not yet a woman", quando, cronologicamente, eu já sou woman há bastante tempo.

gente, será que é o inferno astral chegando?

p.s. o fato é que o tempo passa mesmo, pra todo mundo: outro dia estava vendo a favorita e a tal stella, e só depois eu descobri que é paula burlamaqui. gente, paula burlamaqui, que até outro dia era o protótipo da mulher gostosa, agora está uma coisa assim, senhorinha! como assim, bial?

p.p.s. e respondendo o pessoal que disse "tô aqui!", fico bem feliz de saber, e reconheço que estou mega relapsa com relação ao pessoal que mora em outros estados. acreditem, é uma mistura de "mas minha vida está tão chata e não tenho nada pra contar!" com preguiça de escrever (preguiça essa atestável pelas fases que eu andei escrevendo aqui de caju em caju, apenas). mas estou melhorando, juro.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

get sick soon

estou com um milhão de notícias bizarras para postar aqui, mas tomei vergonha na cara e resolvi escrever alguma coisa minha, mesmo. não tanto sobre minha vida atual, já que esta basicamente se resume a estudar em casa (e a servir como menino da informática do lar, já que todas as pessoas que sabem usar computador sozinhas, quando eu estou por perto, ficam me chamando por motivos como "ei, sem querer fiz um orkut pra minha mãe!" (????). sem contar quando seu - tá certo, meu - pai fica horas e horas discorrendo sobre roteadores e conexão wireless quando tudo o que você fez foi perguntar a ele se você podia desligar o estabilizador sem sacanear com a conexão do resto da casa, evoluindo para "meu deus, olhe para esses fios! isso aqui tá um cu de boi!", e lá vai você ficar horas e horas arrumando os fios do desktop) e ter sinusite. ok, a sinusite eu estou resolvendo, fui a um médico ontem.

enfim, e por falar em doença, nunca é tarde para comentar aqui a minha sui generis hipocondria, já pedindo licença pela eventual escatologia, porque doença não é lá uma coisa de muito bom gosto (falar delas, menos ainda, e ó eu aqui). eu não ando com mil remédios na bolsa (no máximo uma neosaldina e os de uso diário), acho ir ao médico um saco, tanto que vivo adiando, e não sou do tipo que acha que vai morrer se acorda espirrando. porém...

minha gente, se aparece alguma coisa que não está como deveria (ou seja, dentro do rol de doencinhas que eu já tive ou cujos sintomas conheço), eu já acho que é *O* bizarro, tipo, call dr. house now (por sinal, dr. house, pega eu!). eu não sabia que tinha sinusite, embora, de vez em quando, tivesse essas gripes que me deixavam com a cabeça pesando uma tonelada (além de ter uma irmã que tem/tinha sinusite, então eu DEVERIA saber os sintomas). numa dessas vezes, eu estava com viagem marcada para cá, e nem dei bola, achando que meus espirros, coriza e outras substâncias afins a este estado que são bem nojentinhas tinham a ver com a inexistente umidade do ar de são paulo juntamente com a sobejante poluição do ar da mesma cidade. ah, que ingênua.

estou bem pimpona no avião, tudo ia mais ou menos bem até que eu comecei a sentir uma pressão no lado direito do rosto. como eu sei que nariz/ouvido/garganta são todos interligados, no começo não fiquei muito tensa. só que a pressão foi aumentando HORRORES, e, pior: começou a subir em direção ao olho direito.

juro, eu pensei "meu deus, cadê as máscaras que não caem? porque é CLARO que isso é a tal despressurização da cabine de que eu ouço falar desde que comecei a viajar de avião!". comecei a olhar para os outros passageiros em busca de sinais de desespero neles (os meus eu estava tratando de esconder, porque, afinal, sou uma hiponcondríaca dramática discreta e maria-vai-com-as-outras). aí que estava todo mundo normal, lendo, conversando, dormindo... a pressão continuou a subir, e eu comecei a ter um pânico de que quando chegasse no olho, eu ia me revelar a protagonista do filme "terror no vôo 57", com o meu globo ocular espetacularmente explodindo/saltando para fora da órbita, num estilo filme B. claro que nada disso aconteceu (que bom, por sinal), mas eu desci do avião com uma dor de ouvido medonha e tão surda quanto a velha da praça é nossa.

ou então, basta, digamos, eu ir ao banheiro para um number two (por favor, entendam o que é number two, eu não quero ser nojenta e muito menos clínica), e sair sangue, e eu: a) não estar menstruada; b) não ter sentido dor, para achar que CLARO que não pode ser algo simples e corriqueiro como uma hemorróida básica. aí o dr. google ajuda a fomentar a paranóia e a imaginação galopante dos que já possuem estas qualidades de sobra, e eu fico, por uns 3 minutos, realmente convencida de que estou com câncer no cólon ou em alguma das adjacências intestinais (porque eu aprendi que, se for úlcera, o sangue estará coagulado, e não fresco).

e até eu acho over o dia em que eu estava com um torcicolo bobinho, e fui dormir. aí acordei no meio da noite com o pescoço inteiro doendo em qualquer posição (e todos sabemos que torcicolo é apenas um jeito, e você só lembra dele quando vira a cabeça), sendo que aquela parte de trás que é a junção do pescoço com a cabeça estava no nível "nem olhe que dói". torcicolo? que nada, eu comecei a JURAR que era meningite (porque pra mim, meningite é algo que, se a pessoa tiver, vai doer ali; falou a pessoa que nem sabe onde as meninges se localizam). gente, era. na minha imaginação, até eu pegar no sono de novo.

essa história continua comigo indo à farmácia comprar relaxante muscular. vocês sabem que de uns tempos pra cá, os funcionários das farmácias passaram a ser expressamente proibidos de indicar remédios, já que só que pode prescrever medicamentes é um médico? pois é. aí, sendo eu uma pessoa que raramente usa algo diferente de neosaldina, paracetamol, sorine, magnésia bisurada, nimesulida, amoxilina, luftal, remédios para gripe com comercias ridículos, pastilhas pra garganta, band-aid e, de vez em quando um xarope (além dos de uso diário), evidentemente não ao mesmo tempo, e mais ou menos nesta ordem de freqüência, não conhecia o nome de NENHUM relaxante muscular que não fosse voltaren, que na minha cabeça é um remédio que meus avós usavam juntamente com adalat e capoten e, oi? esses são todos remédios, também na minha cabeça, bizarros e de uso contínuo (estamos falando de pessoas cardíacas, diabéticas, hipertensas, safenadas e sei lá mais o quê). enfim, chego para a farmacêutica e digo "oi, estou com um torcicolo horrível, e além de usar calminex (de cavalo, que o de humano não adianta picas), que relaxante muscular você me recomendaria? ela olha para o balcãozinho de remédios que ficam na área self-service da farmácia e diz "dorflex". dorflex? DORFLEX? como é, minha senhora? tá loka? where are the fuckin' drugs? não, eu não respondi exatamente isso. eu disse "moça, olhe só, veja o meu problema e se solidarize: hoje é dia 14 de novembro. amanhã é feriado, sexta eu não trabalho, é o último feriado do ano e eu estou indo para o rio de janeiro DE Ô-NI-BUS. tipo, 6 horas para fazer o percurso no tempo normal, mas imagine com o engarrafamento? tenha pena de como eu vou chegar lá se eu não tomar alguma coisa mais potente!". e gente, deu certo. ela me olhou com ar conspirador e disse "ok, eu vou te indicar um remédio mais forte, mas por favor, que isso fique entre nós, porque você sabe que eu não posso...".

deus, quem vê, pensa que eu fui à farmácia comprar heroína ou crack.

sei que o mioflex que ela me passou resolveu lindamente (ele e uma sessão emergencial de acupuntura, muito embora eu confesse não ser totalmente crédula em relação aos benefícios que agulhinhas espetadas em pontos supostamente estratégicos possam trazer - mas não vou reclamar porque ajudou), eu cheguei ótima e, após saber que não deveria misturar aquele remédio com álcool, não pensei duas vezes, esqueci o mioflex e bora essa caipirinha (caipirinha essa que foram umas 4 ou mais, sendo eu e mais 3 boêmios expulsos do bar pelos garçons resmunguentos, mas e daí? foi só andar um pouco e outro bar nos acolheu de portas abertas)! no dia seguinte, a única dor que eu sentia era de cabeça, da ressaca (não, eu não achei que era meningite).

contraditoriamente, quando eu estou com alguma coisa séria, não só não faço drama como fico naquela de "sou macho". por exemplo, no carnaval passado, na sexta, estava eu no palco do rock e consegui a proeza de cair (atenção, não estava bebendo - não tinha banheiro químico, e mesmo com minha bexiga de camelo, chega uma hora em que é preciso mijar -, pulando, dançando ou correndo, e sim apenas saindo da barraca de churrasquinho) de joelho no chão, EM CIMA DE 2 PREGOS ENFERRUJADOS, o que me fez ter que tomar 5 pontos no joelho, que, além disso, ficou todo ralado e sangrento. tomei injeção de analgésico, fui dormir mal deitada, no dia seguinte o joelho estava do tamanho de uma bola de futebol americano, fui tomar antitetânica, vim pra casa e, considerando que era sábado de carnaval e eu não estava exatamente a fim de ficar sozinha em casa, acabei, mah ôe, indo parar NA FESTA DE IEMANJÁ (leia-se, sábado de carnaval, rio vermelho, muvuca, gente dando santo e tal, e eu manquitolando pelas ruas), o que emendou com "vamos pro palco do rock?" de novo. não quero nem dizer que na hora eu estava bem, e no dia seguinte eu mal andava, porque senão vão me chamar de irresponsável. este incidente me fez parar de fumar (voltei pra SP e não podia me locomover até a loja de conveniência, tive uma micro inflamação na garganta e, quando vi, estava sem fumar há uma semana, então resolvi fazer um esforço que até hoje está sendo bem sucedido, quase 8 meses depois).

resumo da ópera: não tentem entender. eu tentei e falhei.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

4 mil!

eis que neste exato momento, constato que este humilde blog já teve exatas 4 mil visitas!
e tudo isso em menos de 6 meses!
êêêêêêê!

sim, eu sei que este post é idiota, mas deixa eu ser feliz com um numerozinho redondo e me animar com a média de 23,12 visitantes por dia (sendo que minhas visitas não contam, antes que alguém grite "marmelada!").

aliás, eu gostaria muito de saber quem são essas mais de 20 pessoas que todo dia estão por aqui. porque o "público fiel diário" deve ter menos de 10 criaturas.

bom, estou planejando uma sutil mudancinha de layout (esse banner do título era pra ser provisório), e, a exemplo de outros blogs, vou fazer uma compilação de frases digitadas no google que trouxeram gente aqui (algumas são inacreditáveis).

that's all, folks!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

a última ceia

você está em toronto e sua vida está muito chata?

SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

você pode se sentir exatamente como um dos criminosos punidos com a pena de morte nos estados unidos em sua última refeição, pedindo um prato ao last meals delivery service. pagando apenas 20 dólares, você receberá uma legítima última refeição completa igualzinha à que algum condenado famoso pediu antes de morrer. são muitas opções.

MAS NÃO É SÓ ISSO!!!

pedindo agora sua last meal, você recebe, inteiramente grátis, uma máscara com o rosto de um presidiário, para entrar totalmente no clima!

nós garantimos: você irá se surpreender!

LIGUE AGORA E PEÇA JÁ SUA LAST MEAL!

__________________________________________

não, eu não tenho tanta imaginação assim. o last meals delivery service existe de verdade, e foi notícia do portal planeta bizarro, do globo.com (clique aqui para ler a notícia). o charme é ainda maior quando você descobre que não tem ingerência sobre que refeição vai receber. torça para o executado da vez ter tido gosto parecido com o seu.

ah, você tem que pedir sua última refeição com vários dias de antecedência, porque o sucesso é grande!

o que você está esperando? peça já a sua!

domingo, 21 de setembro de 2008

she's not her!

o ego é campeão em dar notícias bizarras e inúteis. a gente até se acostuma, mas de vez em quando aparecem umas coisas tão tronhas que deus é mais. pelo menos, elas mostram que o ser humano, definitivamente, não perde a capacidade de se surpreender com quão bizarro o mundo pode ser (o que não é necessariamente uma coisa boa).

pois então. que nota vamos dar para a matéria "Valesca, da Gaiola das Popozudas, encarna a Madonna do funk"? vou até botar as fotos aqui.


"olha como eu estou I-GUAL-ZI-NHA à madonna! cuspida e cagada!"
(sem dúvidas, cuspida e cagada)

- existe uma gaiola das popozudas? o que seria isso, pelamor? e será que eu quero mesmo saber?
- disseram a ela que ela está fantasiada de madonna? e ela acreditou?
- ainda não criminalizaram o uso de sombra prateada em toda a pálpebra até a sobrancelha?
- por que alguém acharia bonito andar por aí com um cabelo que parece ter sido metade enfiado no mercurocromo?
- os peitos dela vão explodir?

enfim, poderíamos continuar aqui por horas e horas. e ainda tem o texto da matéria:

"A diva Madonna já fez quase tudo em sua carreira. Mas já imaginou a cantora com inspiração funk? Valesca Popozuda já. A funkeira se imaginou na pele da Material Girl, colocou um figurino feito para ela pelo estilista Luiz Fernando Gomes e foi para o estúdio fotografar, like a virgin.

Mas não foi só isso: a funkeira quer, hã, compor para Madonna.
“Sei que é difícil ela ouvir meu trabalho, mas qual o problema? Vou tentar”, diz. Tentar não custa nada, não é?"

eu não sei se me divirto mais com o "like a virgin" ou com a incredulidade e a ironia até de um site conhecido por ser notionless: ela quer, hã, compor pra madonna.

eu, sinceramente, gostaria de viver num mundo onde o conceito de celebridade não fosse tão arrombado, e onde as mulheres tivessem vontade de ser bonitas e elegantes, e não apenas gostosas, como é que acontece hoje em dia. mas enfim, só nascendo de novo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

chame o ladrão - parte II

é tão bonito quando os coleguinhas não apenas lêem o blog, mas também complementam a notícia. é uma coisa "botando lenha na fogueira" que me encanta deveras. rené, muchas gracias!

e aí que saiu na folha de são paulo de hoje a notícia mais explicada sobre nosso amigo ladrão protetor das crianças. vamos lá?

Ladrão furta carro e, após achar criança no banco, chama polícia

No telefonema, o criminoso informou os policiais onde havia deixado o veículo com o menino e ainda fez ameaças aos pais dele

Garoto de 5 anos foi deixado dormindo no carro pela mãe e pelo padrasto, que estavam em bar; caso ocorreu em Passo Fundo (RS)

MATHEUS PICHONELLI
DA AGÊNCIA FOLHA

Ao notar que um menino de cinco anos dormia no banco do carro que acabara de furtar, em Passo Fundo (310 km de Porto Alegre), um ladrão abandonou o veículo e ligou para a polícia para reclamar do pai da criança.

No telefonema ao plantão da Brigada Militar (a PM gaúcha), na madrugada de ontem, o criminoso deixou recado ao dono do carro, um Monza 1983: "Fala pro filha da puta do pai dele pegar ele [sic] e levar pra casa o piázinho [menino]. (...) E diz pro filho da puta do pai dele que a próxima vez que eu pegar aquele auto [carro] e tiver um piá lá eu vou matar ele".

O ladrão ainda ouviu um "ok" do soldado de plantão antes de fornecer a localização do carro. O homem não havia sido localizado até a noite de ontem.

"É por isso que não se pode perder a esperança na humanidade", disse a delegada Claudia Crusius, que investiga o furto. Ela disse que não vai pedir a prisão do ladrão porque ele agiu com "bom senso".

Segundo Crusius, a ligação foi feita cerca de 15 minutos após o Monza ser levado de onde estava estacionado, em frente a um bar e restaurante no centro da cidade. A mãe e o padrasto do menino estavam no local e só souberam do caso quando carro e criança já haviam sido encontrados.

O menino ainda dormia no banco traseiro quando os soldados chegaram à rua do bairro Vila Operária em que o carro fora deixado. A mãe tem 22 anos, e o padrasto, 46. A Brigada Militar, a Polícia Civil e o Conselho Tutelar não informaram seus nomes.

Responsabilidade

O caso também será investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Passo Fundo. Segundo o delegado Mário Pezzi, a mãe e o padrasto podem ser indiciados por suspeita de abandono de incapaz -quando o responsável abandona pessoas consideradas incapazes de se defender. A pena prevista vai de seis meses a três anos de prisão.

O inquérito, disse Pezzi, deve ser concluído em dez dias. "Existem fortes indícios de que houve abandono, mas queremos ouvir as testemunhas."

Ao Conselho Tutelar a mãe relatou ter ficado pouco tempo no bar e que havia descido do carro só para "entregar uns papéis". Disse que pararam no local após voltarem de uma festa.

Segundo a conselheira Carla Vargas, a mãe afirmou ainda ter deixado os vidros do carro abertos para que o menino respirasse. Ela foi advertida e terá de freqüentar terapia familiar, enquanto a criança passará por atendimento psicológico.

"Pelo que soubemos, a criança só acordou ao final de tudo, continuou dormindo depois que o carro foi furtado. Mas a mãe disse que o garoto está tranqüilo e nem chorou."

Vargas informou que o pai do menino vive em outra cidade, mas disse não saber qual é.
"A mãe está muito assustada. Ela foi negligente. Os pais nunca podem pensar que o pior não vai acontecer com eles. A criança correu riscos."

Após o episódio, foi constatado que o carro não tinha documentos. O veículo teve que ser removido a guincho do local.

entrevista

Para delegada, há "esperança na humanidade"

DA AGÊNCIA FOLHA

A delegada Claudia Crusius, que investiga o caso do homem que devolveu um carro furtado com um menino dentro, em Passo Fundo (RS), disse que não pretende pedir a prisão do ladrão. Afirmou que o homem teve "bom senso" e que sua atitude a levou a manter a "esperança na humanidade".


FOLHA - A sra. sabe dizer quanto tempo o bandido levou para perceber que havia uma criança no carro?
CLAUDIA CRUSIUS - Pelos horários das ocorrências, 15 minutos. Ele percorreu uma distância razoável. O local de onde [o carro] foi levado é bem no centro [de Passo Fundo], e foi recuperado em uma vila.

FOLHA - A criança não percebeu que tinha sido levada?
CRUSIUS - Fui informada que ela dormia o tempo todo.

FOLHA - O ladrão demonstrou indignação com o possível abandono?
CRUSIUS - Ouvi dizer que o tom era de indignação. É por isso que não se pode perder a esperança na humanidade.

FOLHA - Isso "alivia" o ladrão, caso ele seja identificado?
CRUSIUS - Ele saiu de casa com um ânimo errado e acabou tendo um bom senso que os pais não tiveram. Ele, entre aspas, "perdeu o trabalho dele", que era o veículo furtado, para poder proteger essa criança. Se fosse uma pessoa de má índole, poderia dizer "azar, o problema não é meu, quero ficar com o carro", e poderia jogar a criança no chão. Basta lembrar o caso do Rio [quando o menino João Hélio ficou preso ao cinto de segurança de um carro roubado e morreu arrastado]. Se identificarmos quem praticou o furto, não pretendo pedir sua prisão.

FOLHA - Os pais já tinham avisado a polícia após o furto?
CRUSIUS - Eles não sabiam. Quando a Brigada [Militar] recebeu a ligação, o rapaz disse onde tinha furtado o carro. Então a Brigada foi até lá e perguntou pelos donos do carro. Só então souberam do caso. (MP)

gente, só piora, não? o que é essa entrevista? o que é a bronca do ladrão? o que é o bom senso como excludente de ilicitude?

como diria o rei roberto carlos, são muitas emoções. e eu vou dormir.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

escola baiana de medicina

estou novamente doente. a última vez tinha uns 3 meses, eu fiquei fingindo que era gripe, e estou usando a mesma tática no momento, quando o provável é que se trate da sinusite maldita que eu desenvolvi morando na cidade poluída que é são paulo. e, claro, eu estou enrolando décadas para ir a um otorrino (fiz a mesma coisa da vez passada, e adivinhem se eu fui). bom, mas a gripe/sinusite/seja lá o que for me remeteu às crenças populares do "pode/não pode" relativo a doenças.

por exemplo, minha babá (sim, eu tenho uma babá, na verdade ex, mas ela mora aqui até hoje) acha que minha gripe é resultado das noites frias de salvador, e será que eu não tomei sereno sábado de noite?. gente, no dia em que salvador tiver sereno, me digam onde eu, pra eu ir lá me refrescar.

aí ontem eu fui fazer mil coisas na rua e na volta comprei uns abarás. eis que ela vem me dizer "mas abará, com essa gripe?" e eu "mas o que é que tem a ver?" e ela "sei lá, camarão, dendê...", eu "remoso..." e ela conclui "isso! é remoso.".

você pode estar se perguntando: que diabos é remoso? eu confesso que também não sei. não consta nos dicionários daqui de casa. mas o significado que dá pra tirar é que é ou comida gordurosa ou aquela que faz mal quando se está doente ou com algo a cicatrizar. tipo assim: você fez uma cirurgia, então, pra não dificultar a cicatrização, não coma nada remoso.

e quais são os alimentos que se encaixam nessa categoria?

segundo minha amiga poli (que é médica mas acredita no remoso), são todos começados com a letra P: pato, peixe de pele, porco, presunto, peru (pra mim, peru é aquela coisa light total, carne branca com pouca gordura e tal, mas não! ele é remoso!)...

- e abacaxi.
- pera, abacaxi não começa com P!
- começa sim: pineapple!
- ...

sem comentários, hein? amendoim também, que é peanut. agora, sério, camarão e frutos do mar são considerados remosos. e quem quiser seguir a regra do P, lembre que pau, perereca e porra começam todos com P, são remosíssimos, então nada de sexo durante os períodos de convalescença.

tem também os casos de intolerância a certos alimentos (tanto no sentido "comeu-vomitou" quanto "não agüento nem ver") que são explicados pelo candomblé. tipo "ah, fulano, seu orixá é tal, ele e mamão, de jeito nenhum!". detalhe que berinjela é quizira (leia-se, intolerada) pela maioria dos orixás, o que nos leva à conclusão de que os italianos e suas maravilhosas caponatas não têm santos do candomblé olhando por eles, e que os orixás ainda não foram informados de que berinjela supostamente é sensacional para baixar o colesterol.

e eu encerro este post com a promessa de vir aqui falar um pouco a respeito da minha hipocondria sui generis. mas agora não, que está ficando tarde e eu sou um ser convalescente, e quero sair amanhã e comer várias coisas, remosas ou não.

chame o ladrão!

aí que um dos temas de conversa durante o almoço de hoje era crianças e pais (vejam, começou em abuso sexual e no fim já era a forma como os pais cuidam dos filhos: neuróticos X pais de madeleine, que saíram e deixaram 3 crianças dormindo num quarto de hotel).

e depois eu venho olhar o UOL e me deparo com a seguinte notícia (no original, aqui):

Ladrão devolve carro furtado ao encontrar criança no banco de trás

Um ladrão chamou a polícia ao perceber que, no banco de trás do veículo que havia furtado, dormia um menino de cinco anos, durante a madrugada de hoje, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Segundo informações do portal Zero Hora, ele ligou para a Brigada Militar informando onde abandonaria o carro.

O veículo pertencia a um casal que, segundo o Zero Hora, estava em um bar na hora do furto. O policial que atendeu à ocorrência chegou a afirmar que o ladrão teria reclamado da irresponsabilidade do casal. "Ele ligou com um tom de indignação pelo absurdo da criança estar sozinha dentro do carro àquela hora", afirmou Cláudia Crusius, delegada do 2º DP, onde o boletim de ocorrência foi registrado.

O ladrão furtou o veículo, um Monza azul 1983, por volta das 2h, no centro de Passo Fundo. Ao perceber a presença do menino, ele ligou para o 190 e informou que deixaria o carro na Rua 7 de Agosto, 488, no bairro Operário. No boletim de ocorrência não consta que o ladrão tenha levado algum objeto de dentro do veículo.

Quando a Brigada Militar encontrou o Monza, o garoto ainda estava dormindo. O carro estava com documentos vencidos e acabou guinchado. O menino foi levado para Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento e a mãe foi chamada a se apresentar às 10h no Conselho Tutelar.

A polícia ainda não encontrou o ladrão. "A princípio, vamos ter que apurar a situação. Mas, pelo insólito da situação, eu já adianto que não vou pedir a prisão", disse a delegada.

minha senhora, meu senhor: quando um ladrão de carro que se dá ao trabalho de furtar um monza 83 se mostra indignado pelo fato do filho de vocês estar dormindo dentro do supracitado carro, sozinho, às 2h da manhã, tem alguma coisa muito errada. pior, eu só consigo pensar que devia estar o frio da montanha, porque isso rolou em passo fundo, rio grande do sul, e oficialmente ainda é inverno.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

united colors

aí que eu estava me atualizando no tdud? e no meio do post sobre o VMA (sintam o drama, não tinha a menor idéia de que isso estava acontecendo no mundo), para explicar um comentário maldoso, puseram um link que remetia a uma matéria, no mix brasil, sobre a linguagem dos lenços (clique aqui).

de primeira, a idéia que se tem é a de que seria uma coisa romântica, tipo a linguagem das flores. i say no, no, no. os lencinhos são o novo (bom, o velho, já que são uma criação da década de 70) código da putaria.

aí vem os questionamentos: quem toma a iniciativa? porque eu já fico imaginando vários gays de lencinhos no bolso, cada um olhando pra bunda do outro, e não num sentido erótico, mas pra sacar qual é a do outro. e aí, se você é abordado, faz o quê? pede gentilmente para que o interlocutor mostre a bunda?

e tudo bem, essa coisa de "só vejo 16 cores" é supostamente só para homens hétero, mas mesmo assim, com tantas cores no mundo, o povo escolheu uma bem parecidas. porque rosa choque e rosa escuro é quase a mesma coisa. imagine se você só queria ser espancado e termina rolando tortura nos mamilos (ai!)? ou pior: você querendo um dotadão (mostarda) e terminando com uma pessoa mijando em você (amarelo)? pânico na costa do dendê! e para se prevenir contra isso, você vai fazer o quê? sair com uma escala pantone ou o catálogo de cores da suvinil e ficar comparando as amostras com a bunda alheia pra não levar gato por lebre?

e pra terminar: quem diabos usa lenço DOURADO? como diria minha amiga duda, medo com molho em cima!

sábado, 6 de setembro de 2008

ser um homem feminino? calma que eu estou quase lá!

gente, vocês juram que a pessoa que aparece nas fotos desta matéria quer que geral acredite que ela não tomou hormônio masculino (deve ter sido de cavalo, só testosterona não seria suficiente)?

tipo, eu olho as fotos e me dá a maior vontade de mudar as legendas para:

1) alexandre frota saindo da piscina

2) travesti do caso gornaldo nos bastidores do programa de luciana gimenez

3) cruza de penélope nova com marcelo madureira vestido de mulher em algum quadro do casseta & planeta

rebeca, filha, não fode.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

i'm not dog, no

"eu não sou cachorro não, mas eu era até semi gatinho, né não?"

por uma dessas coincidências (por vezes mórbidas) do destino, morreu ontem (ou, pelo critério do post midnight, anteontem) waldik soriano, bem enquanto eu estou lendo um livro chamado "eu não sou cachorro, não - música popular cafona e ditadura militar".

neste livro, por sinal, há uma foto que prova que waldik foi o pioneiro no que diz respeito ao estilo "blues brothers" (ou irmãos cara-de-pau), com terno preto, chapéu e óculos escuros.

(divagação: irmã cara-de-pau está nas top 10 fantasias que eu tenho vontade de usar um dia numa festa; o problema é que as pessoas provavelmente não entenderiam a referência, e já basta ter ido vestida de delirium dos perpétuos para uma festa onde certamente NINGUÉM entendeu de quê eu estava vestida)

voltando ao livro, o autor tem uma tese bem interessante de que "os compositores cafonas dos anos 70 não eram tão alienados ou adesistas. foram censurados inúmeras vezes", etc. dizendo assim, parece meio chato e acadêmico, mas nem é o caso. o livro é de paulo cesar de araújo, o mesmo que escreveu a biografia de roberto carlos (que eu comprei antes de mandarem recolher e não li até hoje; sou assim, caótica em minhas leituras). e tem histórias ótimas sobre toda essa renca de cantores considerados cafonas, ao mesmo tempo em que se incensava a MPB contestadora. leitura recomendada.

não dá para saber, ainda, se a tese do autor se sustenta, mas faz muito sentido. afinal, se você veio de lá de baixo, não podia ficar caminhando e cantando nas passeatas; tinha mais é que ir trabalhar. por outro lado, é um fato que, embora os ditos cantores cafonas tenham lançado milhares e milhares de discos (waldik soriano, segundo eu li hoje no jornal, lançou 84 álbuns e 500 músicas! gente, esse homem não dormia?), a história musical do país simplesmente ignora tal fato. queria ver se aqui tivesse um billboard top 100 de cada ano com as músicas nacionais, como nos estados unidos.

e, claro, este post está entregando meu pé na breguice musical. porque é um fato, eu curto umas velharias cafonas. não cheguei - ainda - a baixar discos, mas as músicas que estariam nesses billboards da vida convivem lindamente no meu iTunes com os rocks, os indies e os dances. e eu nem apago elas do last fm. mas tem que ser brega velho, ou seja, cafona (até o som da palavra é vintage).

mas tentando voltar ao tema principal, ou seja, waldik soriano, o fato é que eu soube da morte dele subida num transport. ou melhor: lá estava eu tentando não assistir o DVD de claudia leitte em copacabana, eis que aparece em ana maria braga uma reportagem antiga com waldik soriano no programa. batata, eu pensei "gente, o homem empacotou, só pode, senão a troco de quê iam estar falando dele?". e deve ter sido engraçado para o eventual espectador da cena "sala de ginástica" ver que TODOS (no caso, todas, porque só tinha mulher lá, todas desocupadas como eu, imagino) estavam assistindo claudinha leitte, e eu estava desesperadamente tentando ler os lábios das pessoas do programa mais você enquanto imagens de waldik soriano se sucediam da tela, ao mesmo tempo em que fazia meu "ski aéreo".

aliás, sobre o tema "morte", eu gostaria de transcrever aqui a frase de meu amigo fernando (que também é apreciador do bom e velho estilo cafona - e será co autor de uma festa brega, vocês ainda verão este dia - e deve ter ficado igualmente sentido com a perda), em resposta a um e-mail meu dizendo que dr. olavo setúbal havia morrido (coisas de quem foi funcionário do banco do homem): "depois que a dercy nos deixou, o sentimento de imortalidade foi junto. acho que agora vai ser o festival de reciclagem dos velhinhos.".

gente, não é super digno dercy, enterrada de pé com suas perucas, jóias, pererecas e o sentimento de imortalidade, numa tumba em forma de pirâmide, pronta para virar mum-rá?

e para finalizar, queria que vocês lessem a crônica de xico sá (que é semi deus) sobre a morte de waldick (tá no blog dele, aqui), porque esá bem legal.

"VOCÊ NÃO É CACHORRO NÃO, MAS EU SOU WALDICK SIM, COM MUITO ORGULHO

Morreu, digo, partiu desta para uma melhor, o cantor e compositor Waldick Soriano, o nosso Johnny Cash baiano, como diz o escriba e amigo Zé Teles. A imagem que fica é o seu chapéu preto voando em uma noite fria de São Paulo, mas precisamente na porta do cabaré do viejo Charles Bronson, ali na rua Avanhandava. Foi a última vez que estive com o ídolo, finalzinho do ano passado. Inesquecível a conversa molhada por duplos uiscões inspiradores. Nós, cuja educação sentimental, aí incluindo os bons pares de chifres, devemos a WS, o homenageamos com esta crônica que segue, e que a terra e todas as dores de amores lhe s sejam leves... No cinquentário da bossa-nova, sinto muito pelos bons modos jazzisticos que tanto agradaram a classe média do sr. João Gilberto, mas ninguém me disse mais coisas do que esse homem que cantava Dostoievski para as putas e para as nossas mães ao mesmo tempo:

“Hoje que a noite está calma/ E que minha alma esperava por ti/Apareceste afinal/ Torturando este ser que te adora...”

Cuba libre e uma canção de Waldick Soriano, quem há de resistir?

Quem há de se meter a bacana e não deixar irromper das profundas e sinceras cacimbas d´alma a cafonice de nascença? Brega não, cafona sim, hoje e siempre.

Lembro minha mãe Maria Socorro e a prima Maria Ivone, nuestra amada e bolerística Marivone, o buriti-mor da generosidade do Crato e arredores, ouvindo Waldick e Nelson –“Fica comigo esta noite/que não te arrependerás/ lá fora o frio é um açoite...”

E o primeiro porre? Sullivan, Adailton, Garrincha...O elenco. O meu foi no Caldas, Barbalha, também nas áreas dos Kariris, antes mesmo de conhecer os escribas Wilson Vieira e Josélio Aráujo, amigos do ramo e daquela terra, barcos que navegam com a verve da cachaça e do lirismo -de que mais pode ser feito um homem de verdade a não ser com essas duas argamassas?

Sem essa de brega-cult, modinha de machos & fêmeas, imperava a cafonália mesmo,e a trilha sonora do primeiro porre não poderia ser mais bela: Bartô Galeno,claro. “No toca-fita do meu carro, uma canção me fez lembrar você

Mas voltemos a Waldick, toque outra vez meu amigo, talvez não haja canção mais bela, sim, do que “Tortura de Amor”, aquela cujos versos enfeitam a cumeeira desse texto,e que prossegue, mais ou menos assim: “Volta, fica comigo só mais uma noite/Quero viver junto a ti/Volta, meu amor/Fica comigo, não me despreza/A noite é nossa e o meu amor pertence a ti”.

Chora, Evaldo Costa, lembra do tempo em que nos consolávamos com a radiola do Robertão 70, clássico do romantismo dos derredores do Parque 13 de Maio, no glorioso Recife? Pelo que sabemos, eis que o destino levou Robertão, e não por morte morrida, por morte matada, um covarde faca que arranca as tripas de um homem como o neo-realismo vira o sol das existências. Robertão,sósia do rei, era mesmo um greco-pernambucano, a tragédia dormia debaixo dos caracóis dos seus cabelos.

Toca outra vez, Waldick: “Hoje eu quero paz,/Quero ternura em nossa vida/Quero viver, por toda vida,/ pensando em ti”.

Falar no homem, essa mesma “Tortura de amor”, com o grupo português Clã, é uma coisa d´além mar. Pense numa dor-de-corno com acento de fado e melancolia à moda do Porto! A homenagem a Waldick está no cd “Eu não sou cachorro, mesmo”, da Allegro Discos, a mesma gravadora que havia feito um tributo a Odair, esse outro monstro do chifre. Além da mocinha do Clã se derramando de amor & dor, tem China e Lula Queiroga cantando Marcio Greyck, que eu vou te contar, uma coisa de cinema, uns curiós, uns pitiguaris, umas patativas, uns sabiás...

Toca outra vez, Waldick, desce mais uma, Robertão 70, e que vocês se entendam por ai... Daqui do planeta azul, platonicamente hablando e tirando onda de sofista em tubarônicas bocarras, pago la dolorosa... Depois de todas as saideiras a gente se reencontra. Beijos."

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

e o mundo vai ver uma flor brotar do impossível chão...

CONTARDO CALLIGARIS

César, Diego e nós

O desejo da gente não é definido, fixo. Ele não precisa ser "descoberto", mas inventado

AS LÁGRIMAS de felicidade de César Cielo me comoveram. Também me comoveu a consternação de Diego Hypólito depois da queda que o privou da medalha olímpica.
Anos de dedicação e controle de si acabaram, para César, num momento em que ele nadou como nunca e, para Diego, num erro inesperado. César tinha dificuldade em acreditar que seu sonho estava acontecendo. Diego repetia: "Não acredito que perdi".
Com um amigo, domingo à noite, conversamos sobre o que faz o estofo dos campeões.
Evocamos aquela idéia da sabedoria popular que faz sucesso na literatura de auto-ajuda (por exemplo, "O Segredo", livro e filme) e que diz o seguinte: descobrir o que a gente deseja e desejá-lo ardentemente é bom e eficiente, pois quem deseja muito, mais cedo ou mais tarde, realiza suas aspirações.
Na mesma veia, organizar nossa existência ao redor da ocupação da qual a gente mais gosta parece ser o jeito de matar a charada da vida.
"Logicamente", com a paixão pelo ofício de cada dia ("adeus depressão"), serão multiplicadas as chances de sucesso (merecido, pois, no caso, só poderemos nos entregar a nossas tarefas com o maior afinco e com prazer).
É fácil entender de onde vem essa idéia. Você passa o dia aflito, correndo atrás das complicações de seu trabalho e de seus deveres e, quando, à noite, coloca em ordem sua coleção de selos, pensa em desistir de tudo e abrir uma lojinha filatélica.
Movido por sua paixão, quem sabe você escreva, enfim, o novo catálogo definitivo dos selos da Colônia, do Império e da República do Brasil; logo, a lojinha crescerá até se tornar o grande centro on-line de troca, comércio e avaliação de selos nacionais.
Mas há um problema: essa idéia é ingênua. Não tanto por ela subestimar as dificuldades eventuais de sua lojinha filatélica, mas por duas razões fundamentais:
1) O desejo da gente não é um desejo definido, que seria "o nosso" (como uma espécie de DNA psíquico) e que se trataria de descobrir e logo seguir à risca. O episódio bíblico do pecado original é uma boa metáfora da condição humana. Todas as necessidades estavam satisfeitas no Paraíso terrestre, e fomos querer um fruto que não sabíamos direito o que era: a humanidade (pecadora, claro) surge quando começamos a desejar além do que satisfaz nossa necessidade de sobrevivência. Como nosso desejo não é regrado pela necessidade, ele é variável, não depende do valor intrínseco dos frutos desejados, nem da singularidade de nosso paladar, mas de nossos vínculos com os outros: no caso, com as Evas que nos seduzem ou com a vontade de transgredir a ordem divina. Conclusão: nosso desejo é o fruto volúvel das ocasiões, das circunstâncias e, sobretudo, das relações com nossos semelhantes; ele é uma disposição que INVENTAMOS -não que DESCOBRIMOS.
2) Inventar um desejo não é nenhuma garantia de talento. É possível desejar ser nadador, ginasta ou filatélico sem ter talento para nenhuma dessas atividades. Em tese, isso não teria que ser um drama, visto que poderíamos procurar (ou melhor, inventar) outro "fruto" desejável, mais compatível com nossas aptidões. Mas não funciona assim. Na parábola bíblica, o nosso gosto pelos frutos proibidos indica que, em geral, preferimos desejar o que está fora de nosso alcance, por ser objeto de interdito ou, justamente, por ser irrealizável à vista de nossas modestas habilidades. Ou seja, em vez de desejar de galho em galho segundo as ocasiões e conforme nossas aptidões, preferimos almejar o impossível. O aspirante filatélico sofre de uma sudorese que estragaria qualquer selo; o aspirante literato não gosta de ler, e por aí vai: gostamos de visualizar futuros que nunca chegarão.
Pois bem, os campeões, ao menos durante um tempo de sua vida, focam seu desejo, ou seja, persistem em desejar apenas uma coisa. Até aqui eles são parecidos com a gente.
Só que, diferentes da gente, eles se autorizam a desejar uma coisa que é difícil, mas que não lhes é impossível: desejam a excelência num ofício para o qual eles têm talento. Restaria se perguntar por que um campeão pode falhar. Pois bem, até os campeões precisam daquela coisa que faz com que, um dia, milagrosamente, a disposição, o humor, a temperatura, o brilho do sol ou o barulho da chuva conspirem para que tudo dê certo. Ou seja, precisam de sorte. Boa sorte a Diego nos próximos Jogos Olímpicos.

(fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2108200826.htm)

eu li esse texto logo que foi publicado na folha. li e reli, cheguei a comentar com algumas pessoas. fiquei com uma sensação de que era um desses momentos em que o mundo, deus ou seja lá quem manda uma mensagem. aquela coisa meio "vamos ler a sorte nos acontecimentos".

aí minha mãe me deu ele pra ler anteontem, provavelmente por conta da mensagem do "com esforço e com o seu talento, você vai conseguir" (não, não pretendo ser campeã olímpica, estou estudando para concurso), e isso só reforçou a idéia do "isso é uma mensagem que eu preciso ler e interpretar".

essa questão de desejar o impossível, aquilo para o que não fomos talhados, é que chamou minha atenção de cara. porque eu andava numa imensa crise vocacional, tendo momentos de verdadeiro desespero ao me imaginar trabalhando com certas coisas o resto da vida, mas sem enxergar uma opção. porque, vamos combinar, olhar as profissões pelo lado interessante de cada uma (algumas não têm esse lado interessante, claro), é fácil. mas pense o que seria, concretamente, trabalhar com certas coisas? continua sedutor?

então, eu estava tentando me conformar que trabalho nunca seria a coisa que eu mais iria amar na vida. e isso não é exatamante um motivo para pânico, afinal essa história do "eu amo tudo o que faço" não me soa verdadeira em 99% dos casos. mas também não poderia ser uma coisa que me desse vontade de sumir todo dia de manhã.

não posso dizer que a crise passou, mas acho que ela tem a ver com outras coisas, leia-se, com estado de espírito, leia-se, depressão. de qualquer forma, eu também conversei loucamente com um monte de gente e matutei e matutei, e acabei concluindo que essa coisa de crise vocacional dá muito em que tem opções. o cara que era pobre de marré de ci e conseguiu um emprego de boy na empresa do patrão da casa onde a mãe dele trabalha, e depois foi e conseguiu fazer um vestibular, e no fim chegou lá, como se diz, não ficou nessa de "hum, mas na verdade eu queria era estudar música barroca". sim, eu sei que estou generalizando, mas é mais ou menos por aí que se pensa quando se diz que depressão é doença de rico. essa coisa de "ai, me sinto incompleto", muitas vezes, tem a ver com ter tempo para se sentir incompleto, e ficar naquela frustração de não ter conseguido desenvolver todas as suas potencialidades, ou seja, continuar a estudar línguas, ter aulas de tênis e tal. porque quem não teve as oportunidades, quando conseguiu umazinha só, provavelmente ficou muito feliz.

sei que estou sendo generalista e determinista, mas eu realmente penso que essa é uma possível explicação para esse lance de "não sei o que eu quero da vida". disseram à gente que o importante é ser feliz e todo mundo acreditou que é totalmente possível ganhar dinheiro fazendo o que se mais gosta, ainda que isso seja jogar videogame ou ouvir música. e, tipos, é mentira. é possível porque impossível não é (sim, eu sei que essa frase ficou podre), mas será que é razoável pensar assim? até porque querer é ótimo, mas ter coragem de ir atrás e ficar firme no seu propósito é coisa de poucos.

e finalizando esta imensa divagação, a outra coisa que me chamou a atenção foi a questão do esforço e da perseverança. e isso acabou sendo uma mensagem de estímulo, que é bem o que eu preciso neste momento. e, bom, desde segunda que eu estou tentando fazer a minha parte. mas não vou falar disso aqui, porque vai ficar o post mais chato EVER! só sei o seguinte: quero minha torcida!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

profissão: baiana

eu me dei conta de que voltar para salvador alterou uma parte significativa da minha identidade. morar em outro estado foi responsável por me tornar "baiana".

explico: sendo uma pessoa de nome comum, alguns amigos passaram a me chamar de "ju baiana" para me diferenciar de outras jus. eu era sempre a do sotaque diferente, e se ganhasse um real para cada vez que eu ouvi e respondi a pergunta "você é da bahia? mas o que você veio fazer aqui?", estaria com uma bela reserva monetária.

fui a almoços e festinhas que só tinham razão de ser por serem um encontro de baianos "desterrados". não sei quantas vezes participei de conversas tentando explicar o significado que alguns termos teriam em "paulistês" (nem todos, por sinal, eram tipicamente baianos; alguns fazem parte da forma de falar da minha turma).

servi de paradigma para mostrar que baianos não são lentos e não falam necessariamente arrastado. já outros me identificaram como o protótipo da "baiana arretada" (diga-se de passagem, eu discordo).

se eu gosto de pimenta, isso é explicado por eu ser baiana. já o fato de eu não ligar muito para cocada é encarado com estranheza, porque "onde já se viu uma baiana não gostar de cocada?".

no campo musical, dá e deu trabalho explicar que eu não gosto de axé, que eu não vou pra salvador no carnaval (muito caro, não tenho mais saco pra pular e todos os meus amigos acabam viajando). se eu digo que gosto de rock, tenho que ouvir que sou parecida com pitty (também discordo).

as pessoas também não entendem que cidades que são ótimas para se passear podem não ser sensacionais para se morar (como qualquer cidade, aliás, já que todas têm problemas), que em salvador o trânsito está ficando mais caótico a cada dia que passa, e que um monte de coisas que fazem sucesso em salvador (basicamente, todas ligadas a carnaval, micareta e axé) não me agradam.

tive que aprender a "neutralizar" o sotaque ao telefone, falando com desconhecidos, porque as pessoas simplesmente não entendem o que você fala (ou não querem entender) se suas vogais são mais abertas. pior: falam letra Ê e se você fala letra É, não apenas não entendem como dizem que "só na bahia" (mentira, no rio de janeiro também se fala letra É).

apesar de não ser nem um pouco fã do estilo, fiz coisas como ir a um show do chiclete com banana no festival de verão do guarujá só para matar um pouco as saudades da terra.

blefei inventando coreografias, porque invariavelmente queriam que eu dançasse os últimos sucessos da bahia nas festas, e dava muito trabalho dizer que eu não tinha idéia de como era a coreografia oficial (pior ainda quando eu nunca tinha ouvido a música).

fiquei amiga de pessoas de quem não teria sido mais do que conhecida porque eu e elas fomos morar em são paulo. chefiei a "embaixada baiana em são paulo", a.k.a. meu apartamento, assim apelidado por minha mãe. embaixada essa, aliás, que acabou virando meio que uma assembléia geral da ONU com as eventuais idas de paranaenses, sergipanos e fluminenses para lá.

enfim: só não usei torço, mas até moqueca aprendi a fazer, contrabandeei fitinhas do bonfim (mensuráveis a metro, em rolos) e abarás congelados, fui consultada como se fosse uma autoridade sobre o candomblé, ouvi zil pessoas perguntando se ACM é (era) amigo de minha família e estranhando o fato de eu nunca ter ido a porto seguro.

descobri que ir à praia é uma questão cultural, e que eu prefiro mesmo a forma soteropolitana: ficar numa barraca, comer acarajé, abará e queijo coalho, tomar cerveja. essa coisa de ir à praia de forma saudável, praticar esportes ou comer barrinha de cereal? se liga, meu povo!

baixei da internet músicas de dodô & osmar (e comecei a surtar, querendo pular carnaval na praça castro alves até me dar conta de que o que eu queria era o carnaval de 25 anos atrás, e nem fudendo dá pra encarar aquela muvuca), da timbalada e de edson gomes. e provavelmente só fiz isso porque estava morando fora.

estranhei um são joão cuja festa acontece em quermesse, com gente comendo cachorro quente, churrasquinho, bolinho caipira e bebendo vinho quente (ODEIO!!!) e quentão (adoro!), sem amendoim cozido, sem licor, sem bolo de tapioca, de aipim, de puba, sem bolinha de jenipapo, sem munguzá. aliás, tive que chamar munguzá de canjica e canjica de curau!

me irritei muito quando ouvi - inúmeras vezes - o termo "baiano" ser usado como sinônimo de brega, pobre, bizarro, feio e coisas do gênero. e não, eu não entendo que é uma forma de se expressar que não tem a ver com a bahia, e essa é uma desculpa esfarrapadíssima que eu tive que ouvir de algumas pessoas.

enfim, o fato é que, de repente, caiu a ficha de que eu não moro mais em um lugar que não é minha origem, e onde eu sou identificada como diferente. deixei de ter sotaque (não deixei, claro, mas é que, como eu passei muito tempo dizendo, a gente não tem sotaque na terra da gente porque lá todos falam parecido) e perdi esta identidade de estrangeira.

p.s. dedico este texto a todos os que andam por aqui e que são ou foram estrangeiros em terra alheia. acho que hoje em dia isso tem sido cada vez mais freqüente.

luz na passarela que lá vem ela, a freira

gente, eu adoro quando o mundo volta a nos brindar com notícias deliciosamente tabloideanas... viram essa (no original, clique aqui)?

Padre italiano cancela concurso de "Miss Freira" por críticas

O sacerdote italiano Antonio Rungi, que tinha lançado um concurso na Internet para escolher a freira mais bonita do país, suspendeu momentaneamente a iniciativa ao considerar que havia gerado muita "confusão" e após ter recebido algumas críticas, informa a agência EFE.

Com um comunicado, Rungi tinha pedido às religiosas e noviças entre 18 e 40 anos que mandassem fotos para participar de um concurso de beleza, que acabaria "com alguns preconceitos sobre que as meninas menos bonitas se tornam freiras".

(O UOL Tablóide, que revelou ao país Votuporanga como uma potência do mundo das misses, graças ao trabalho do Padre Sílvio, lamenta que a Igreja Católica italiana não tenha dado o devido valor à iniciativa).

O sacerdote explicou hoje que decidiu cancelar a iniciativa ao considerar que foi "mal interpretada", pois seu objetivo era só "contar, através da internet, a vida nos conventos e os relatos mais belos da vida das religiosas".

"É uma iniciativa que diminui o papel das freiras consagradas a Deus, às missões, às obras de caridade, e aos mais indefesos", rezava um comunicado emitido hoje pelo presidente da Associação Cultural de Docentes Católicos, Alberto Giannino.

O padre afirmou que, após ser divulgada a notícia do concurso, recebeu, através de seu blog, "duras injúrias" e ameaças de "ir ao inferno".

(O UOL Tablóide lamenta mais uma vez que o padre não esteja sendo bem compreendido em sua missão).

O religioso esclareceu que o concurso queria ser uma "provocação" para "chamar a atenção para o mundo das freiras, freqüentemente pouco valorizado", e sobre "a falta de vocações entre as mulheres italianas".

Rungi assegurou que o "concurso" será retomado somente quando as pessoas entenderem "a bondade da iniciativa" e essa não for mal interpretada.

(O UOL Tablóide, que é sempre favorável à criação de mais um concurso de miss, onde quer que seja, espera que a decisão seja revertida).

olimpiÁdas

o que eu assisti dessas olimpíadas de pequim foi basicamente o que alguém estava assistindo quando eu, sem nenhuma intenção, passei por algum lugar onde tinha uma TV ligada. isso explica porque, vira e mexe, eu pegava carona no que meu pai estivesse vendo (geralmente, todos os 4 canais do sportv ao mesmo tempo, zapeando loucamente).

aí que este cidadão paterno, vendo um jogo de tênis de mesa, me solta: "se tênis de mesa é esporte olímpico, por que porrinha também não é?" (concordo, por sinal). poucos dias depois, sexta de noite, o mesmo cidadão estava vendo outra competição de tênis de mesa, entre um chinês e um sueco, nos intervalos da eliminatória de saltos ornamentais (a 3ª opção era hóquei de grama). aí sábado de manhã, final do vôlei feminino, continua o zapping com interesse no tênis de mesa.

aí eu tive que dizer "meu pai, você falou tão mal do tênis de mesa, mas toda hora eu flagro você assistindo! que absurdo!".

e ele? me diz "ah, é que eu estou esperando. no meio de tanto chinês, alguma hora vai aparecer um chamado MIN... GAU.".

realmente, realmente. humor masculino é isso, minha gente.

[tabajara mode on] mas não é só isso! [tabajara mode off]

ontem eu recebo um e-mail de minha irmã entitulado "mingau é mulher!", onde constava a classificação do ciclismo de estrada feminino e o destaque para o 16º lugar:

16. Min Gao (CHN) a 28s 17. Leigh Hobson (CAN) m.t.

é por esse tipo de coisa que eu adoro minha família.

p.s. ela jura que não ficou compulsivamente olhando todas as classificações de todas as provas dos jogos atrás de uma pessoa chamada Mingau, mas não sei não...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

alô, cristina! diretamente do cemitério!

observem o surrealismo da situação. se isso fosse cena de filme, iam dizer que era muita fantasia e que a realidade não é assim. então tá...

momento 2 - à meia noite encarnarei em teu cadáver

você está em sua casa quando é surpreendido por um telefonema do cemitério jaraguá, que seria totalmente desconhecido seu, se não houvesse enviado panfletos não solicitados a todos os apartamentos do seu prédio. até aí, as pessoas são capazes de comprar qualquer coisa, então, por que não um jazigo ou um túmulo?

mas voltando, toca o telefone. observem o diálogo.

- boa noite, senhora, aqui é do cemitério jaraguá. eu gostaria de saber se a senhora recebeu um folheto do nosso cemitério em sua residência.
- boa noite. recebi sim.
- a senhora saberia informar quando, e quem mandou?
- veja bem, não. só sei que recebi, mais de uma vez, folhetos de vocês. não sei precisar a data.
- mas saberia dizer quem mandou?
- infelizmente, não. mas eu me lembro que eles sempre vieram em envelopes em branco, ou seja, não foram enviados pelo correio.

preciso dizer que eu estava dando corda porque, além de achar surreal o telemarketing de cemitério, ainda fiquei com a sensação de que a pessoa estava tentando apurar uma falha de algum funcionário. afinal, por que outro motivo ela estaria querendo tanto saber quem mandou a porra do folheto?

continuando:
- ah, mas mesmo assim, vai o nome do funcionário escrito no folheto.
- bom, acredito em você, mas como eu já disse, não observei. além do mais, eu já joguei os folhetos fora (tentando fazer a pessoa se ligar).
- bom, tudo bem. mas então, a senhora não estaria interessada em adquirir um túmulo (realmente, não me lembro se ela disse túmulo, sepulcro, jazigo, cova ou lote, mas você entenderam) no cemitério jaraguá?

neste momento, eu tenho certeza de que a maioria de vocês teria desligado após um curto e grosso "NÃO". mas não eu. naquele momento, eu era a verdadeira antropóloga do telemarketing, querendo ver how far would those people go.

- não, não tenho. meus parentes nem moram em são paulo, eu sou de salvador.
- mas a senhora poderia comprar o jazigo/cova/lote/sepulcro/túmulo para uso próprio, e, quando morrer, já está tudo acertado.
- meu bem, entenda: eu tenho 31 anos. não estou pretendendo morrer tão cedo. e nem sou dessa cidade (que parte de "eu sou de salvador" você não entendeu?)
- mas e para algum parente?
- veja só, analise a situação comigo: você acha que se um parente meu morrer em salvador, eu vou trazer ele para ser enterrado aqui? você já imaginou quão complicado é transportar um cadáver de avião? fora o preço? (fora o cheiro)
- mas então, e para você? sabe, para garantir que na eventualidade (desde quando morrer é eventual?) do seu passamento, todas as despesas estariam pagas?

aí eu tive certeza de que não ia adiantar argumentar de forma minimamente sensata com a pessoa, porque percebam como ela fica se repetindo (total memória de peixe, ou então oligofrenia, vocês escolhem).

- não. se eu morrer, minha família paga a conta! entenda, eu vou estar morta, eu nem vou estar aqui para me importar com o trabalho que vai dar e com o dinheiro que vai custar! eles que se virem!

eu juro que não penso isso. mas já percebi que a gente tem que ser meio escroto pra fazer esse povo se tocar de que eles são bizarros. se é que eles se tocam, é mais fácil ficarem achando que você é que é o bizarro...

detentos & detidos

saiu ontem na coluna de monica bergamo, da folha de são paulo (original aqui):

INDEPENDÊNCIA
Estréia hoje, às 7h, na TV Justiça, "Saber Direito", programa diário que vai ensinar, entre outras coisas, como redigir um habeas corpus sem a ajuda de advogados. "Agora vou falar com você que está preso", diz o jurista que dará as primeiras aulas.


gente, só eu acho que "agora vou falar com você que está preso" é o novo "beijo pra penitenciária" de mara maravilha?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

onze de agosto

hoje, para os que não são da área, é data comemorativa no meio jurídico. dia dos cursos jurídicos no brasil, dia do advogado, dia do magistrado... e dia do pindura.

esta que vos escreve nunca deu um pindura na vida. sim, é verdade. no meu 1º ano de faculdade, eu não era a pessoa mais integrada com os coleguinhas, e nem me lembro mais se me chamaram e eu recusei ou se nem convidada fui. mas me lembro nitidamente de ter visto no noticiário da TV uma turma, também do 1º ano, mas da universidade católica, que foi parar na delegacia porque resolveu dar pindura em massa no baby beef, que é um restaurante de preços nada camaradas, sobretudo se geral resolve beber loucamente coisas como whisky.

claro que sendo eu a menina amarela que sou, medrosa de tudo o que signifique descumprimento de regras, sobretudo quando você pode ser punido por conta disso, acabei ficando impressionada com o ocorrido e, seja por isso, seja por outros motivos, acabei nunca participando de nenhuma pindura.

confesso, isso não exatamente me fez falta. afinal, se por um lado eu, como basicamente a grande maioria das pessoas, queria me sentir parte de um grupo, por outro, não exatamente concordava com essa história de um fulano comer num restaurante e não pagar a conta só porque é estudante de direito e instituíram essa tradição (que, claro, é defendida pela classe jurídica e provavelmente abominada pelos donos de restaurantes).

para quem está tentando entender de onde foi que surgiu uma tradição tão cara-de-pau, transcrevo aqui um texto do ilustríssimo presidente da OAB/SP, órgão de classe de cujo quadro eu faço parte (o texto é tão velho que ele, na época, nem era presidente da Ordem):

"A tradição do Pendura
Prof. Luiz Flávio Borges D'Urso (*)

No dia 11 de agosto comemoramos a fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil, criados por ato do Imperador Dom Pedro I, que estabeleceu:

"Dom Pedro Primeiro, por graça de Deus e unânime aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
Fazemos saber a todos os nossos súditos que a Assembléia Geral Decretou e nós queremos a lei seguinte:
Art. 1º - Crear-se-hão dous cursos de Ciências Jurídicas e Sociais, um na cidade de São Paulo e outro na de Olinda e neles no espaço de cinco anos e em nove Cadeiras, se ensinarão as matérias seguintes [...]
Dada no Palácio do Rio de Janeiro aos onze dias do mês de agosto de mil oitocentos e vinte e sete, Sexto da Independência.
(a) Imperador Pedro Primeiro".

A partir dessa data foram abertas as portas para que os brasileiros pudessem estudar ciências jurídicas e sociais em sua terra natal. Assim, o dia 11 de agosto tornou-se a data mais significativa para o contexto jurídico brasileiro, sempre comemorada, perpetuando a tradição do pendura entre os acadêmicos de Direito.

De origem não muito bem definida, conta-se que o pendura pode ter nascido de uma antiga prática dos proprietários que formulavam convites para que os acadêmicos, seus clientes, viessem brindar a fundação dos cursos jurídicos, no dia 11 de agosto, em seus restaurantes, oferecendo-lhes, gentilmente, refeição e bebida.

Com o passar dos tempos, os convites diminuíram e foram acabando, obrigando assim que os acadêmicos se auto-convidassem. Graças a essa iniciativa, a tradição foi mantida até nossos dias, consistindo em comer, beber e não pagar, solicitando que a conta seja "pendurada". Tudo isso, é claro, envolvido num imenso clima de festa.

Ritual - O verdadeiro pendura, segundo a tradição, deve ser iniciado discretamente, com a entrada no restaurante, sem alarde, em pequenos grupos, para não chamar a atenção. As roupas devem ser compatíveis com o local escolhido.

Deve-se procurar uma mesa em local central, quanto mais visível melhor. Prossegue-se, com bastante calma, observando-se cuidadosamente o cardápio, inclusive os preços, que sabe não irá desembolsar. O pedido deve ser normal, discreto, sem exageros, admitindo-se inclusive camarões e lagostas.

Quanto à bebida, os jovens devem ser comedidos, pois dela necessitam para aquecer suas cordas vocais, preparando-as para o discurso de agradecimento ao gentil convite da casa. Todavia, a bebida em demasia pode transformar o discurso e o pendura num desastre.

Ao final, quando satisfeitos, após evidentemente a inevitável sobremesa, pede-se a conta, lembrando-se de um detalhe que faz parte da tradição e não pode ser desrespeitado, que é o pagamento dos 10% da gorjeta do garçom.

Após isso, o líder e orador deverá levantar-se e começar a discursar, sempre saudando o estabelecimento e seu proprietário, agradecendo o convite e a hospitalidade, enaltecendo a data, os colegas, a faculdade de origem, o Direito e a Justiça, tudo isso, sob o estímulo dos aplausos e brindes dos demais colegas do grupo.

Esse é o verdadeiro pendura, que pode ser aceito ou rejeitado. Caso aceito, ficará um sabor de algo faltante! Agora, se rejeitado, deve partir dos estudantes de Direito a iniciativa de chamar a polícia e de preferência dirigindo-se todos à Delegacia mais próxima, o que lhes dará alguma vantagem pela neutralidade do terreno.

Variações - Existem também outras modalidades do pendura, que são distorções da tradição, conhecidas pelas alcunhas "troglodita" e "diplomática".

A primeira, "troglodita", bastante primitiva, consiste em, após a refeição, sair correndo do restaurante, levando no peito tudo e todos que estiverem à sua frente, nivelando os estudantes ao "gatuno" que foge para não ser apanhado cometendo algo errado. Esta modalidade deve ser evitada, pois tal conduta poderá caracterizar o crime de dano, caso algo seja destruído.

Note-se que não há crime na tradição do pendura, pois o delito preconizado pelos pendureiros frustrados - aqueles que sempre desejaram pendurar, sem coragem para tal - confunde-se com o tipo penal no qual o sujeito realiza refeição sem que tenha condições para seu pagamento, caracterizando o crime.

No pendura, a refeição é realizada; todavia, o estudante deverá ter consigo dinheiro, cheque ou cartão de crédito; portanto, meios para pagar a refeição, descaracterizando o tipo penal e afastando o delito, de modo que, embora tenha condições para pagar, não o fará em respeito à tradição.

Na outra modalidade, "diplomática", mais pacífica, a diplomacia determina que os acadêmicos devam solicitar reservas, revelando o pendura e somente com a concordância do proprietário, fazem a refeição e saciam sua fome, mas não a tradição, posto que fica o estudante de direito nivelado ao que mendiga um prato de comida.

Todas as inovações devem ser evitadas, preservando-se a tradição do pendura, com o indispensável discurso, rememorando o papel daqueles moços que fizeram os caminhos de nosso País, estimulando assim o empenho destes outros moços, jovens, para que transformem os destinos da nação!

(*) O Prof. Luiz Flávio Borges D'Urso é advogado criminalista, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abrac), professor de Direito Penal, conselheiro e diretor cultural da OAB/SP, presidente do Conselho Estadual de Política Criminal e Penitenciária de São Paulo, mestre e doutorando em Direito Penal pela Universidade de São Paulo e presidente da Academia Brasileira de Direito Criminal (ABDCRIM).
"

atualmente, mais velha, (bem) mais chata e cagando pra certas pressões que sofremos ou podemos sofrer quando mais jovens, eu digo; pindura? sou contra. até porque as pessoas perderam a noção, e nem fazem mais nos locais que freqüentam, pagando, o ano todo. é a desculpa perfeita para ir a restaurantes caros e querer, na cara-de-pau, não pagar. está aí um belíssimo precendente para as carteiradas pelas quais toda a classe jurídica é acusada (diga-se de passagem, no mais das vezes, a acusação é procedente). vamos começar, desde estudantes, a achar que existe um regime de exceção que é feito sob medida para os profissionais de Direito. e depois reclamam que a classe é odiada mundo afora. por que será, hein?

se você dá, já deu ou pretende dar pindura (eu disse pindura!), seja feliz. de verdade. não acho que seja um crime contra a humanidade, nem nada parecido. mas não consigo aplaudir, tampouco.

p.s. aproveito para parabenizar os colegas advogados (lembrando sempre aque as únicas profissões que têm "colegas" são advogado e puta), os magistrados e os estudantes de direito. afinal, hoje é o nosso dia, e as homenagens cabíveis devem ser feitas (quem achar que jogar ovo é homenagear, se prepare para tomar uma bicuda na canela).

domingo, 27 de julho de 2008

alô, cristina!

aí que eu ando numa vibe "sangue nos zóio" com relação a telemarketing. o engraçado é que eu sou do tipo simpática e amistosa. ao invés de fazer como muita gente, que quando sacam qual é a da pessoa do outro lado da linha, dizem "não estou interessado" e desligam, eu ouço com educação e tento ser delicada ao declinar as ofertas que me são feitas.

como diz minha irmã, se eu, que sou calma, consigo me irritar bastante em certos momentos, é porque eles abusam.

por outro lado, já percebi que eu muitas vezes dou corda pra ver até onde o surrealismo da situação vai chegar, e consigo ser surpreendida mesmo estando preparada para o pior. freaky.

resolvi então compilar os melhores (ou piores) momentos telemarkéticos experienciados por minha pessoa, para dividir com vocês.

momento 1 - eu e um banco qualquer

esse é da época em que eu trabalhava em banco.

vamos combinar que telemarketing ativo é um saco. você não tem nenhum problema com ninguém, está cuidando de sua vida, e de repente recebe um telefonema do além.

pois bem, estou eu no aconchego do meu lar, com uma big crise de sinusite, podre, fanha, são mais de 20h, e me liga um cidadão.

ele - sra. juliana, boa noite! a senhora já possui nosso cartão de crédito do nosso banco , e o motivo do meu contato (clichê nº 1 do telemarketing: dizer "o motivo do meu contato") é dizer que o banco tal hoje está lançando o serviço de conta corrente (hein? hoje? alô, meus pais já tiveram conta nesse banco tipos em 1997?), de forma que escolhemos alguns clientes para um teste. uma de nossas gerentes já foi designada para fazer uma visita à senhora e explicar os nossos serviços, após o que a senhora irá fazer uma avaliação, e, se achar interessante, poderá estar iniciando (clichê nº 2 do telemarketing: o odioso gerundismo) outro relacionamento comercial com a gente.

eu - (calma e controlada) obrigada, mas eu já possuo uma conta corrente e não tenho interesse em ter outra.

ele - justamente, o banco tal imaginou que a senhora já possui outras contas correntes e que, por isso, necessitaria de um produto realmente vantajoso, e nada custará a senhora a visita da gerente (alguém avisa que tempo é dinheiro?). informo que a senhora não será compelida a adquirir nenhum produto (jura? quanta condescendência da parte do banco tal!).

eu - (ainda calma, mas não mais tão afável) amigo, eu trabalho num banco. eu não quero outra conta.

ele - é natural que a senhora esteja resistente a iniciar este relacionamento com o banco tal, mas justamente, o contato direto com a nossa gerente, que irá explicar todas as vantagens que a senhora pode ter, poderá diminuir essa resistência (ela vai me hipnotizar, é isso?).

eu - (meramente cortês, mas séria) obrigada, mas eu não tenho interesse.

ele - mas a senhora precisa entender (não, não preciso) que, com base no que a senhora já possui, o banco tal poderá começar a lhe oferecer (começar a lhe oferecer: que tempo verbal seria esse?) algo mais vantajoso.

eu - (finalmente exasperada e impaciente) amigo, veja. EU. TRABALHO. NUM. BANCO (que parte você ainda não entendeu?). eu não pago NENHUMA tarifa bancária. a ÚNICA forma do banco tal me dar algo mais vantajoso que isso é ME DANDO DINHEIRO DE GRAÇA, entendeu? a proposta de vocês é essa?

ele (finalmente caindo a ficha de que NÃO VAI ROLAR, BEIJOS) - oktenhaumaboanoitetchau.

eu não mereço, né? aliás, vou reformular, mesmo sendo óbvia. NINGUÉM MERECE.