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terça-feira, 12 de agosto de 2008

alô, cristina! diretamente do cemitério!

observem o surrealismo da situação. se isso fosse cena de filme, iam dizer que era muita fantasia e que a realidade não é assim. então tá...

momento 2 - à meia noite encarnarei em teu cadáver

você está em sua casa quando é surpreendido por um telefonema do cemitério jaraguá, que seria totalmente desconhecido seu, se não houvesse enviado panfletos não solicitados a todos os apartamentos do seu prédio. até aí, as pessoas são capazes de comprar qualquer coisa, então, por que não um jazigo ou um túmulo?

mas voltando, toca o telefone. observem o diálogo.

- boa noite, senhora, aqui é do cemitério jaraguá. eu gostaria de saber se a senhora recebeu um folheto do nosso cemitério em sua residência.
- boa noite. recebi sim.
- a senhora saberia informar quando, e quem mandou?
- veja bem, não. só sei que recebi, mais de uma vez, folhetos de vocês. não sei precisar a data.
- mas saberia dizer quem mandou?
- infelizmente, não. mas eu me lembro que eles sempre vieram em envelopes em branco, ou seja, não foram enviados pelo correio.

preciso dizer que eu estava dando corda porque, além de achar surreal o telemarketing de cemitério, ainda fiquei com a sensação de que a pessoa estava tentando apurar uma falha de algum funcionário. afinal, por que outro motivo ela estaria querendo tanto saber quem mandou a porra do folheto?

continuando:
- ah, mas mesmo assim, vai o nome do funcionário escrito no folheto.
- bom, acredito em você, mas como eu já disse, não observei. além do mais, eu já joguei os folhetos fora (tentando fazer a pessoa se ligar).
- bom, tudo bem. mas então, a senhora não estaria interessada em adquirir um túmulo (realmente, não me lembro se ela disse túmulo, sepulcro, jazigo, cova ou lote, mas você entenderam) no cemitério jaraguá?

neste momento, eu tenho certeza de que a maioria de vocês teria desligado após um curto e grosso "NÃO". mas não eu. naquele momento, eu era a verdadeira antropóloga do telemarketing, querendo ver how far would those people go.

- não, não tenho. meus parentes nem moram em são paulo, eu sou de salvador.
- mas a senhora poderia comprar o jazigo/cova/lote/sepulcro/túmulo para uso próprio, e, quando morrer, já está tudo acertado.
- meu bem, entenda: eu tenho 31 anos. não estou pretendendo morrer tão cedo. e nem sou dessa cidade (que parte de "eu sou de salvador" você não entendeu?)
- mas e para algum parente?
- veja só, analise a situação comigo: você acha que se um parente meu morrer em salvador, eu vou trazer ele para ser enterrado aqui? você já imaginou quão complicado é transportar um cadáver de avião? fora o preço? (fora o cheiro)
- mas então, e para você? sabe, para garantir que na eventualidade (desde quando morrer é eventual?) do seu passamento, todas as despesas estariam pagas?

aí eu tive certeza de que não ia adiantar argumentar de forma minimamente sensata com a pessoa, porque percebam como ela fica se repetindo (total memória de peixe, ou então oligofrenia, vocês escolhem).

- não. se eu morrer, minha família paga a conta! entenda, eu vou estar morta, eu nem vou estar aqui para me importar com o trabalho que vai dar e com o dinheiro que vai custar! eles que se virem!

eu juro que não penso isso. mas já percebi que a gente tem que ser meio escroto pra fazer esse povo se tocar de que eles são bizarros. se é que eles se tocam, é mais fácil ficarem achando que você é que é o bizarro...

4 comentários:

Duda disse...

Cara, qual é a da insistência do ser em saber quem entregou??

Com essas pessoas oligofrênicas-Oi- meu-nome-é-Dori, não tenho a menor paciência mesmo... :D

fabiana disse...

Repito, vc é minha musa do telemarketing! hahahahahaha

[Pitty] Bizarrô! Bizarrô! [/Pitty]

paula disse...

HAHAHAHAHAHAHA

Amo essa história! Não tenho memória de peixe, mas tinha esquecido... ai ai...

Deixe de escrever não...

Você salva meus dias!

poliana disse...

hahahahahahhahahahahha!!!!!!!!!!!!!!!