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domingo, 27 de julho de 2008

alô, cristina!

aí que eu ando numa vibe "sangue nos zóio" com relação a telemarketing. o engraçado é que eu sou do tipo simpática e amistosa. ao invés de fazer como muita gente, que quando sacam qual é a da pessoa do outro lado da linha, dizem "não estou interessado" e desligam, eu ouço com educação e tento ser delicada ao declinar as ofertas que me são feitas.

como diz minha irmã, se eu, que sou calma, consigo me irritar bastante em certos momentos, é porque eles abusam.

por outro lado, já percebi que eu muitas vezes dou corda pra ver até onde o surrealismo da situação vai chegar, e consigo ser surpreendida mesmo estando preparada para o pior. freaky.

resolvi então compilar os melhores (ou piores) momentos telemarkéticos experienciados por minha pessoa, para dividir com vocês.

momento 1 - eu e um banco qualquer

esse é da época em que eu trabalhava em banco.

vamos combinar que telemarketing ativo é um saco. você não tem nenhum problema com ninguém, está cuidando de sua vida, e de repente recebe um telefonema do além.

pois bem, estou eu no aconchego do meu lar, com uma big crise de sinusite, podre, fanha, são mais de 20h, e me liga um cidadão.

ele - sra. juliana, boa noite! a senhora já possui nosso cartão de crédito do nosso banco , e o motivo do meu contato (clichê nº 1 do telemarketing: dizer "o motivo do meu contato") é dizer que o banco tal hoje está lançando o serviço de conta corrente (hein? hoje? alô, meus pais já tiveram conta nesse banco tipos em 1997?), de forma que escolhemos alguns clientes para um teste. uma de nossas gerentes já foi designada para fazer uma visita à senhora e explicar os nossos serviços, após o que a senhora irá fazer uma avaliação, e, se achar interessante, poderá estar iniciando (clichê nº 2 do telemarketing: o odioso gerundismo) outro relacionamento comercial com a gente.

eu - (calma e controlada) obrigada, mas eu já possuo uma conta corrente e não tenho interesse em ter outra.

ele - justamente, o banco tal imaginou que a senhora já possui outras contas correntes e que, por isso, necessitaria de um produto realmente vantajoso, e nada custará a senhora a visita da gerente (alguém avisa que tempo é dinheiro?). informo que a senhora não será compelida a adquirir nenhum produto (jura? quanta condescendência da parte do banco tal!).

eu - (ainda calma, mas não mais tão afável) amigo, eu trabalho num banco. eu não quero outra conta.

ele - é natural que a senhora esteja resistente a iniciar este relacionamento com o banco tal, mas justamente, o contato direto com a nossa gerente, que irá explicar todas as vantagens que a senhora pode ter, poderá diminuir essa resistência (ela vai me hipnotizar, é isso?).

eu - (meramente cortês, mas séria) obrigada, mas eu não tenho interesse.

ele - mas a senhora precisa entender (não, não preciso) que, com base no que a senhora já possui, o banco tal poderá começar a lhe oferecer (começar a lhe oferecer: que tempo verbal seria esse?) algo mais vantajoso.

eu - (finalmente exasperada e impaciente) amigo, veja. EU. TRABALHO. NUM. BANCO (que parte você ainda não entendeu?). eu não pago NENHUMA tarifa bancária. a ÚNICA forma do banco tal me dar algo mais vantajoso que isso é ME DANDO DINHEIRO DE GRAÇA, entendeu? a proposta de vocês é essa?

ele (finalmente caindo a ficha de que NÃO VAI ROLAR, BEIJOS) - oktenhaumaboanoitetchau.

eu não mereço, né? aliás, vou reformular, mesmo sendo óbvia. NINGUÉM MERECE.

5 comentários:

Duda disse...

hahahahahahah

Adoro essa história...

Momó disse...

Ai amiga, essa também foi engraçada, mas nada supera a do cemitério, ahahahah...

Fernanda disse...

Ju,
Sei blog é demais, alias vc é demais! Sinto falta quando vc não escreve, pow!
Vamos comer uma pizza quando vc estiver por aqui! Beijos da sua amiga carioca, Nanda

fabiana disse...

Hahahahaha

Cara, você é minha heroína do telemarketing!

fabiana disse...

Baby, estou dando um tempo no Imitation, fechei o blog temporariamente até meu transtorno de humor passar. Hahahahaha

Anyway, não dá pra comentar lá. Qualquer coisa estou no blog de cinema.

Beijocas